É justo isso?

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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Comunidade Indígena Xucuru Palmeira





















































































Alvorada no acampamento indígena



















De volta à vida normal (?)

Já faz algum tempo. Quase todos nós já havíamos esquecido que este blog existia. Mas o fato é que eu estava sem tempo. O mestrado anda me consumindo o juízo. Mas eu também precisava de um tempo para pensar...
Puxa vida! Já tenho 25 anos, e pareço ter nascido de novo!
A maior das experiências da minha vida estão sendo justamente agora, quando resolvi me empenhar na luta e na defesa dos direitos dos povos indígenas, mais particularmente no caso da comunidade Xucuru Palmeira - um grupo segregado da etnia Xukuru-Kariri, que vive nas periferias de Palmeira dos Índios, em bairros que um dia já foram aldeamentos, expostos a todos os riscos sociais que ambientes como esses comportam, tais como violência, tráfico de drogas, prostituição infantil, desemprego, fome, miséria e outras formas degradantes da condição humana.
Esses desaldeados buscam nos seus costumes e tradições, e principalmente na fé em Deus, na Virgem do Amparo e em seus Encantados, a força para se manterem coesos na organização da luta pelo direito à Mãe Terra. Essa fé tem sido também o motor de transformação social para o grupo, e, para mim, a energia convertedora, capaz de mover qualquer que seja a montanha de problemas que se acumulam cotidianamente...
Minhas próximas postagens serão fotografias - algumas poucas que fiz no decorrer da caminhada ao lado desse povo, que é meu povo também.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Sobre a constituição de um flato

A gente, quando se inventa de enveredar pela ciência, descobre tantas coisas engraçadas... E eu nem sei por que teimamos em não morrer de rir com elas. Por exemplo, estudando a origem dos gases que naturalmente soltamos, descobri que apenas 1% deles é composto pelo elemento enxofre (S). É justamente essa pequena parcela a responsável pelo fedor do peido. Já pensou se o enxofre ocupasse 100% do total? Para que avião, se o bin Laden poderia ter devastado o Ocidente? E haja ventas...

Mariane chegou!

Lembram que no dia 8 de agosto publiquei aqui no Blog um texto para um bebê que chegaria em breve? Intitulado "Para Mariane". E ela chegou, em 8 de setembro, dia em que os católicos festejam a Natividade de Nossa Senhora!
Por pouco ela escapou de nascer no Dia da Pátria... Ufa, que alívio! Uma independente de celebrar o aniversário no mesmo dia de nossa Independência Intestinal.
Agradeço à inspiração que me fez anunciar a vinda de Mariane com exato um mês de antecedência...






Nome
MARIANE REIS MARCELINO

Pai
MÁRCIO SANTANA MARCELINO

Mãe
CRISTIANE REIS WANDERLEY

Peso
2745 g

Comprimento
47 cm

Obstetra
GUSTAVO BRESOLIN

Anestesista
DANIELA VASCONCELLOS

Pediatra
MARIA EMILIA GEIST

Data nasc.
08/09/2007

Hora
00:15

Eu amo AL

Adoro essas duas letrinhas: um "A" e um "L".
É a sigla do Estado de Alagoas.
O encontro dessas duas letras, a primeira das vogais e a décima terceira das consoantes, é forte e elegante. Sentimos a energia de palavras terminadas com elas quando deixamos cumprirem a sua função fonética, com o som provocado a partir da livre passagem do ar pela boca em toda a sua pronúncia. Sim, pois o "L", ajuntado após o "A", solto à beira do vocábulo, tem som de "U".
Alguns, influenciados por outros costumes lingüísticos, obstaculizam a passagem do ar ligeiramente ao final do vocábulo, dando com a ponta da língua em direção ao palato-duro (o antigo céu-da-boca). Para ilustrar o que quero dizer, imaginemos então um sotaque de influência germano-gaúcha.
Pois bem, assim temos o tal e o qual, o coloquial, o palmeiral, a catedral, o hospital, o banal e o bananal. O casual, o temporal, o espiritual, o material, o real, o ideal e o pó Royal. A UFAL, a UNEAL, o CEFET-AL (eu preferia ETFAL), o canavial, o legal, o imoral, o maioral, o Melhoral, o marginal, o estadual e o Capital.
Já pensou numa frase que pudesse obedecer a uma seqüência de encontros vocálicos com o "L" no final? Vejamos essa:

"O mal do cartel do Brasil no rol do..."

domingo, 26 de agosto de 2007

Mais uma canção fúnebre

"Eu sei", interpretado pelo grupo Papas na Língua, é música para se cantar ao pé da cova da amada. Ou na missa de sétimo dia em memória dela, talvez...

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O rei do gado

Olhem essas manchetes que foram publicadas na página eletrônica do jornal Folha de São Paulo:


"Filho de Renan comprou rádio após doação do pai senador"

"Renan se reúne com advogados antes de depor a relatores"

"Fazendas de Renan têm contabilidade fictícia, afirma PF"

"'Estou absolutamente tranqüilo', diz Renan antes de depor"

"Renan admite 'incongruências', mas não quebra de decoro"


Não perca as cenas dos próximos capítulos da novela "O Rei(nan) do Gado".


Fonte das informações: Folha On line ( http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u322649.shtml) Última atualização: 24 de agosto de 2007, às 4h44min)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Duelo de titãs em plagas palmeiríndias

No largo da Praça Monsenhor Macedo, no centro de Palmeira dos Índios, um confronto de divindades como nunca se viu vai tomando forma consistente e adquirindo a condição de perpétua. Um duelo titânico, digno de se incluir nos anais alegóricos palmeirenses, caso estes existissem.
Trata-se de uma epopéia, de uma nova Ilíada – como bem diria o cordelista interesseiro de O Pagador de Promessas – congelada no tempo e no espaço, só que, desta vez, Tróia é a cultura de Palmeira dos Índios, e o cavalo de Tróia são interesses financeiros.
A primeira chegou faz tempo, embora não fosse a primeira que aqui chegou realmente (se é que você me entende). À sua presença, as outras divindades que existiam curvaram-se penitencialmente, sucumbiram ou resistiram abafadas. E assim, por mais de dois séculos, assumindo formas cada vez mais belas e grandiosas, ela esteve sempre a dominar a paisagem ao sopé das serras que compõem o maciço da Borborema, portal para o sertão das Alagoas.
Agora, contudo, a majestosa Catedral de Nossa Senhora do Amparo se obriga, em silêncio, a encarar um novo gigante que se ergue por sobre as ruínas do Montepio dos Artistas, outro relicário da memória da Princesa do Sertão, que remontava sua fundação ao ano 1919, e que morreu de abandono e desabado.
O gigante em ereção é uma obra com fins comerciais: aluguel de apartamentos, de olho em uma clientela que cada vez mais cresce na cidade, ligada ao setor da educação para o mercado.
Frente a frente, por um bom tempo, estarão a solidez da tradição cristã católica, a história e a cultura, de um lado. Do outro, a liquidez do tempo e do espaço, a rotatividade e o lucro.
A Catedral gozará da vantagem de se manter mais elevada que o outro edifício em construção, por estar incrustada na parte mais alta da ladeira onde ambos se encaram, parecendo que ela manifestará sua força com as armas da imponência e da elegância.
Já ele vem embrutecendo as feições com ares quem se apetece, nem tão ferozmente, mas com fome saturnina, desejando devorar a adversária. Pelo menos ele parece já tê-la comido, numa visão que se obtém de lá da Praça das Casuarinas.Assim parece que eles irão permanecer: num conflito apaixonado, imortalizado numa disputa fria, dolorida, silente, por dias e noites, na chuva e no estio. Palmeira dos Índios ganhará um novo símbolo e uma nova metáfora. Não do novo que revigora o antigo, mas do feio que fica à frente do belo, ocultando-o de nossas vistas – tão carentes de coisas bonitas, e tão exaustas de tantos conflitos...
(Texto escrito em 23 de agosto de 2007 (“são oito dias para o fim do mês”), sendo finalizado às 9 horas e 25 minutos da manhã, enquanto o autor contemplava pela janela da Casa Paroquial da Catedral de Palmeira dos Índios o cenário que descreve, ouvindo o som das marteladas em madeira, no edifício em construção.)

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

A culpa é sempre nossa

O governador Téo Vilela (PSDB) fez há alguns instantes um importante pronunciamento oficial ante à crise que envolve os serviços de saúde, precarizado, segundo ele, pela greve e pelas demissões em massa dos médicos que atendem à população alagoana.
Mais uma vez, "o governo que elegeu a transparência econômica como marca" sugere que os grandes culpados pela crise financeira são - sempre nós - os próprios funcionários públicos e, mais diretamente, os seus sindicatos, que agiriam segundo "interesses políticos, que passam longe dos interesses da população pobre. Ou seja, além de uma clara tentativa do governo de se atingir os trabalhadores em sua forma legítima e autônoma de organização, jogando a população carente de Alagoas contra os trabalhadores.
Ignoro o conceito que Téo Vilela tem de política. Mas fica demonstrado também que ele pelo menos ignora o conceito de luta pelo bem comum das pessoas. Aliás, acho o governo um completo ignorante tanto do ponto de vista político quanto do técnico.
Reitero o convite feito ao governador do Estado de Alagoas, em 28 de fevereiro deste ano, para comparecer a uma de minhas aulas, na Escola Estadual Luiz Duarte. Estarei esperando para debatermos com nossos estudantes "sem teto" alguns temas interessantes, como cidadania e eficiência pública.

Entre o legal e o imoral

Essa notícia merece reprodução.


Acompanhemos a Comédia Brasileira da Justiça:




Juíza que despachou na calçada corre o risco de ser demitida
Mônica Labuto queria trabalhar até mais tarde e transformou calçada em gabinete.Irritado com a atitude da magistrada, TJ-RJ pediu afastamento


A juíza Mônica Labuto, que decidiu trabalhar no meio da rua, em um gabinete improvisado na calçada, depois que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) negou um pedido para que o Fórum de Madureira ficasse aberto após as 21h, pode ser punida pelos desembargadores do TJ por sua atitude. O órgão especial pode decidir pelo afastamento ou até mesmo a demissão da juíza da Vara de Infância e da Juventude.




A magistrada pediu a ampliação do horário porque queria acompanhar o trabalho da Vara da Infância e da Adolescência em uma blitz em casas noturnas da região. No entanto, ao saber que este havia sido negado por causa da falta de segurança no prédio, resolveu transformar, na última sexta-feira (10), a calçada em gabinete. E realizou os despachos ali mesmo, no meio da rua. A atitude da juíza irritou a direção do Tribunal de Justiça, que entrou com uma representação contra ela no órgão especial, com pedido de afastamento. Mônica aguarda, agora, a decisão de 25 desembargadores, que deve sair em 20 dias. Eles irão avaliar se a juíza merece receber algum tipo de punição, seja ela uma advertência, o afastamento ou até mesmo a demissão da Vara de Infância e da Juventude. Enquanto isso, a juíza trabalha no fórum normalmente. Se for decidido pelo seu afastamento, ela pode ficar até dois anos em casa, sem trabalhar, porém recebendo o salário, já que a decisão ainda caberia recurso. “Ela desobedeceu uma ordem de superior hierárquico no campo administrativo. O que ela fez foi expor o poder a vexame, porque não é possível que uma juíza de direito vá para a rua numa mesa emprestada ou de quem quer que seja fazer um proselitismo totalmente fora de propósito”, disse o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador José Carlos Murta Ribeiro. A representação é baseada num artigo do Conselho Nacional de Justiça que prevê punições para o juiz que agir de forma incompatível com a dignidade, a honra e o decoro de suas funções.

O vice-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Cláudio Dell'orto, no entanto, acredita que a juíza não fez qualquer provocação ao tribunal. "Não me parece que gerou-se para a Justiça de um modo geral um constrangimento. Havia uma necessidade, como ainda há, de se aparelhar melhor a Justiça da Infância e da Juventude não só no Rio, como no Brasil todo", afirma.

Para Dell'orto, a atitude da juíza é apenas um "ato simbólico", que mostra que "os tribunais e toda a administração da Justiça devem estar mais próximos do cidadão". Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, este é um caso inédito. "Espero que a Justiça seja aplicada, até porque o que se diz é que a juíza quer trabalhar", disse Britto.




Fonte: G1, com informações do Jornal da Globo (http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL88165-5606,00.html), atualizado em 15 de agosto de 2007.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Para Mariane

Apesar de tudo, você terá muita sorte. É evidente que o mundo ainda precisa se dedicar mais à conquista da paz. De uma trégua, pelo menos...
Mas eu quero acreditar que as esperanças se renovam com a chegada de uma nova vida, que é sempre bem vinda.
Então vem, pequenina! Vem sonhar conosco o sonho de outro mundo possível. Seja bem vinda, e que venha em paz, Mariane - singelo fruto que há de brotar do amor de seus pais: meus amigos Márcio e Cristiane.

domingo, 5 de agosto de 2007

Loucura racional

Essa foi mais uma que eu ouvi do Cido - o "maluco" amigo meu lá da Ribeira:

"Eu sou louco, mas raciocino.
Fico olhando os rostos das pessoas e, pelas suas feições, tento apreender seus objetivos.
Tiro uma fotocópia mental que fica tal e qual uma xerox.
Há horas em que o sujeito é tão prego que acaba virando grampo!"

Profundo...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

De chofre

Teodoro contemplava o açude, extasiado. Não fazia nem dez segundos que ouvira de Angélica um "Eu te amo", vindo assim, do meio do nada. Sentiu o peito gelar ardentemente, reboando o som daquelas palavras cabalísticas oriundas de voz tão serena...
"Eu te amo", "Eu te amo", "Eu te amo"... - repetiam-lhe na memória os movimentos daquele comboio de corda que Fernando Pessoa chamava coração.
À timida e corajosa moça, Teodoro respondeu com um beijo nos lábios aquecidos, enquanto a chuva engrossava naquela noite fria de Palmeira dos Índios...
"Dias de chuva são véspera de tempo bom."
BETO GUEDES

O político e o técnico

O governador Téo Vilela é um técnico. Renan Calheiros, presidente do Senado Federal e grande amigo de Téo, na atualidade dos escândalos nacionais, diz preferir um “julgamento técnico” a ter de se submeter a um “julgamento político” na apuração das denúncias de corrupção que envolvem o seu nome. Como se vê, hoje se valoriza mais a “técnica” do que a “política”. Se assim for, estamos fritos!
Renan já nos forneceu subsídios para a compreensão das causas da corrupção no Brasil. Num artigo intitulado A ética necessária, publicado pela Editora do Senado numa coletânea em 2002, Renan nos lembra que “é a impunidade que anaboliza a corrupção, a convicção que todos têm de que não haverá punição”. Assim, ele nos explica como se deixou levar na onda da boiada, elevando seus ganhos a níveis estratosféricos, bem acima da média nacional do setor, mesmo produzindo numa área isolada pelo risco da febre Aftosa. Além de técnico, Renan é mágico!
Sugiro que Téo Vilela nomeie Renan Calheiros para cuidar das finanças e do equilíbrio fiscal do Estado. Já pensou? Ora, se Alagoas está quebrada, como afirma a tecnocrata equipe econômica do governo, então chamem Renan, o mago! Ele deverá saber como se resolve o problema, aplicando seu talento pessoal (privado) ao zelo com a coisa pública. Como seria lindo se os “técnicos” do Brasil se recusassem a agregar recursos públicos ao seu patrimônio privado!
O que mais me chateia nessa crise governamental, além de estressar as relações entre o Estado e a sociedade é a repetitiva dicotomia proposta entre aquilo que seria “técnico” e aquilo que seria “político”. O governo Téo Vilela re-significou essas palavras: o termo “técnico” é sempre utilizado para justificar posicionamentos canhestros que prejudicam principalmente a classe trabalhadora; já o termo “político” vem associado a situações de cobrança dos direitos legítimos, por parte da população. Por exemplo, se o Estado de Alagoas gasta mais do que arrecada, e por isso não pode garantir as esmolas habituais aos “pobres sertanejos”, como sugere a atual e escandalosa propaganda do governo, temos um dado “técnico”. Contudo, se o povo se organiza para cobrar do governo as promessas de campanha e a garantia de seus direitos, tem-se então um problema de cunho “político”. Às vezes, como também afirmam, de caráter “ideológico”. Da frigideira, fomos direto para o fogo!
Na Antiguidade Clássica, o filósofo grego Aristóteles concebeu o ser humano como um zoon politikon, ou seja, um agente em sua condição pública, um ser político, caracterizado pelo relacionamento com os outros na esfera pública. Ao pé da letra: o homem é um animal político. Tal condição exige a construção de virtudes éticas e administrativas, sendo capaz de se tornar a finalidade da técnica, se esta for entendida como um conjunto de procedimentos que visa obter determinado resultado em qualquer atividade, até mesmo política.
A equipe do governo Téo Vilela precisa urgentemente reaver esses conceitos e entender que precisa sim da técnica, mas somente na condição de colocá-la a serviço da vida política, em busca do bem comum, e não como justificativa para os problemas que se aprofundam a cada dia, prejudicando ainda mais a situação do Estado.
Uma última curiosidade etimológica: a palavra “técnica” também se origina do grego (techné), que significava “arte”. Como diria minha avó, do alto de sua sabedoria, “em Alagoas tem muito artista”...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Luz


A palavra luz tem sua origem no latim: "lux". Lucélia, Luciano, Lucíola são exemplos de nomes que têm sua raiz etimológica relacionada à luz.

Minha avó materna, Maria Vicência, era muito devota de Santa Luzia (ou Santa Lúcia, outro nome que tem a ver com luz), festejada todos os anos no dia 13 de dezembro. Segundo a tradição católica, Santa Luzia foi uma virgem martirizada por decapitação por ordens do imperador romano Deocleciano, no ano 304 d.C., por decidir pela fé e pela moral cristãs aos costumes pagãos de seu prometido noivo. Uma lenda diz que teve os olhos arrancados por ele. Sua imagem mostra-a carregando uma palma (símbolo do martírio) numa das mãos, e, na outra, um prato com seus olhos, que teria sido ofertado por Nossa Senhora. Por isso, além de ser invocada por pessoas que se sentem contrariadas, ela também é considerada a protetora das pessoas portadoras de problemas visuais.

Segundo a Bíblia - fonte de fé da tradição judaico-cristã -, "no princípio Deus criou o céu e a terra. A terra achava-se vazia, as trevas cobriam o abismo e o vento de Deus girava sobre as águas. Então Deus disse: 'Faça-se a luz!', e a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, apartou-a das trevas, chamou à luz dia e às trevas noite. Houve uma tarde e uma manhã: foi o primeiro dia."

No Século I a.C., o filósofo grego Lucrécio, continuando as idéias dos primeiros atomistas, concebeu que a luz solar e o calor eram compostos de pequenas partículas.

Em 1672, o físico Sir Isaac Newton defendeu uma teoria na qual considerava a luz como um feixe de partículas que eram emitidas por uma fonte, e que estas atingiam o olho, e assim estimulavam a visão.

No Século XIX, James Clerk Maxwell provou que a velocidade de propagação de uma onda eletromagnética no espaço, equivalia à velocidade de propagação da luz de aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo. Foi dele a afirmação de que a luz é uma "modalidade de energia radiante" que se "propaga" através de ondas eletromagnéticas.

Albert Einstein, usando a idéia de Max Planck, conseguiu demonstrar que um feixe de luz são pequenos pacotes de energia, chamados fótons. A confirmação da descoberta de Einstein se deu no ano de 1911, quando Arthur Compton demonstrou que "quando um fóton colide com um elétron, ambos comportam-se como corpos materiais". Eis porque se afirma que a luz se comporta ora como partícula, ora como onda.

A luz foi sempre um dos principais elementos inspiradores de cantores, poetas, e sempre esteve relacionada ao encantamento, à vida (o ato de dar à luz é um exemplo), à fé, à ciência - ao conhecimento de um modo geral.

Vinícius de Moraes, para mim, foi o poeta que mais encantadoramente falou em luz, quando compôs Pela luz dos olhos teus:



"Quando a luz dos olhos meus

e a luz dos olhos teus

resolvem se encontrar

Ai, que bom que isso é, meu Deus!

Que frio que me dá

o encontro desse olhar.

Mas se a luz dos olhos teus

resiste aos olhos meus

Só pra me provocar

Meu amor, juro por Deus

Me sinto incendiar...

Meu amor, juro por Deus

que a luz dos olhos meus

já não pode esperar.

Quero a luz dos olhos meus

na luz dos olhos teus

sem mais lará-lará...

Pela luz dos olhos teus

eu acho, meu amor,

que só se pode achar

que a luz dos olhos meus

precisa se casar..."



É em homenagem à luz que hoje escrevo tudo isso, em pleno Século XXI, inspirado numa antiga árvore da Praça do Rosário, que tombou sobre dois automóveis estacionados na ladeira, e sobre a fiação que une dois postes de iluminação pública, o que deixou metade da cidade, em sua parte mais antiga sem fornecimento de energia elétrica durante boa parte da noite.

Em Palmeira dos Índios não pode chover. Se isso acontece, falta energia elétrica. Por quê? Porque a companhia precisa desligar a rede para ativar o sistema de proteção contra raios. Aqui as coisas ainda não são automáticas.

Eta, sistemazinho dos tempos do candeeiro...

terça-feira, 24 de julho de 2007

Pergunta idiota

É nessas horas que surgem algumas daquelas perguntinhas idiotas do tipo: "por que o céu é azul?". Ora, porque a atmosfera funciona como um filtro que só deixa escapar da luz branca a cor azul.
Respondida essa bobagem, que às vezes pseudo-filósofos querem revestir de indagação filosófica, fica outra pergunta no ar: "se a caixa-preta de um avião é praticamente indestrutível, por que não fazem o avião inteiro com a mesma segurança da caixa-preta?".

Sabotagem aérea – A Era do Relaxa e Goza

Desde o início da crise aérea no Brasil eu venho dizendo que isso é sabotagem.
Tudo teve início com a queda, em 29 de setembro de 2006, do avião da Gol que vinha em sua rota, certinho, até que um outro avião, um Legacy pilotado por estadunidenses, trombou e fez dele pedacinhos ao se chocar no chão amazônico. Daí uma crise que revelou e ainda revela a insegurança nas “viagens mais seguras do mundo”. Controladores de vôo insubordinados, congestionamento nos aeroportos, atrasos nos vôos, Ministra do Turismo e sexóloga mandando todo mundo deixar de estresse, relaxar e gozar... Teria sido o maior desastre aéreo da história da aviação brasileira se, durante a festa do Pan, outro terrível desastre envolvendo um Airbus da TAM, durante o pouso, não acontecesse, dez meses depois da queda do avião da Gol e dez anos depois de um Fokker 100, também da TAM, se lançar após a decolagem sobre algumas moradias.
A minha teoria conspiratória coloca a culpa disso tudo nos Estados Unidos. Não é por nada não, mas só o fato de haver uma briga histórica sobre quem inventou o avião primeiro – se foi o brasileiro de sobrenome francês Santos Dumont ou se foram os estadunidenses Irmãos Wright – já justifica um pouco a nuvem carregada que nos fez esquecer as comemorações dos 100 anos do vôo do 14-Bis, e a nos comover e a nos solidarizar com tantas e tantas vítimas, fatais ou de qualquer modo afetadas, por essa crise aérea.
Vale lembrar o que aconteceu na Base de Alcântara, no Maranhão, numa das portas de entrada da Floresta Amazônica, quando, há alguns poucos anos, explodiu aquele foguete que matou todos aqueles trabalhadores empenhados no sonho do Programa Espacial Brasileiro. A coincidência é que a tragédia aconteceu após o fim do contrato sem renovação do aluguel da Base Militar aos Estados Unidos, fato que ameaçava a nossa segurança e a nossa soberania.
Sem falar na “zona fantasma” da Amazônia – rota de entrada de vôos internacionais oriundos dos Estados Unidos, boa parte de Nova Iorque.
Que tem coisa errada nisso tudo, tem. E parece que o dedinho do Tio Sam, mais uma vez, patrocina essa chacina na periferia do mundo...
Aproveitem a nova era: "Relaxa e goza", povo brasileiro...

"Grandeza e miséria do Cristo Redentor", por Roberto Pompeu de Toledo


O brilhante ensaio do Roberto Pompeu de Toledo, exposto a seguir, merece ser lido por todos aqueles que têm em sua cidade uma estátua de Cristo com os braços abertos – como a que há, no alto da Serra do Goiti, em Palmeira dos Índios.


Grandeza e miséria do Cristo Redentor


Mobilizados, os brasileiros elegeram uma estátua meio assustadora uma das maravilhas do mundo


Se há alguma coisa feia no Rio de Janeiro, é o Cristo Redentor. Bonito é o pico em que está fincado, uma pedra que sobe lá em cima, o cocuruto a varar com audácia territórios privativos do céu. Mais bonita ainda é a vista lá de cima, a mais bela que se pode ter de uma cidade. O caminho para chegar ao topo também é bonito. O jornalista Marcos Sá Corrêa, num artigo recente, citou o registro deixado pela francesa Adèle Toussaint-Samson, professora que morou no Rio nos tempos do Império – quando ainda não havia Cristo sobre o Corcovado –, depois de uma escalada de seis horas: "Eu podia imaginar um pouco a vista esplêndida que me esperava lá em cima. Mas não pudera pressentir a emoção profunda que sentiria à visão de uma natureza saindo virgem das mãos de Deus".
Já o Cristo, em si... A expressão é vazia como a de um robô. É pesadão como um guindaste. Tirem-no de seu contexto e, num palco, viria a calhar para encarnar a estátua de pedra que determinou a ruína de Don Juan. O olhar que não olha é de um extraterrestre desembarcado com a missão de assustar. A figura é toda rígida, gelada, esquemática. Marcos Sá Corrêa ressalta a sorte de o Cristo estar cravado num lugar decretado parque nacional. "Quem não sabe o que isso quer dizer, imagine tirar a estátua de onde está para pô-la no morro mais alto do Complexo do Alemão, a que também não faltam credenciais para representar a autêntica paisagem urbana do Rio."
O entorno deslumbrante o salva. Mas há algo de que não se pode perdoá-lo: o mau exemplo com que contaminou cidades, vilas, vilarejos e bairros Brasil afora. Contam-se aos milhares os cristos redentores que brotaram pelo país nestes 76 anos que se seguiram à implantação do primeiro, no alto do Corcovado. São cópias que, não podendo repetir o gigantismo do original, se assemelham a rebentos malformados de espécimes premiadas. São encontráveis no topo de morrinhos miúdos, feios, indignos, ou no centro de praças tacanhas. Para prefeitos sem conta, inaugurar o Cristo Redentor da cidade representou ponto de honra do mandato. Ainda que em versão nanica, ou disforme, ou com feições ainda mais assustadoras do que o original, a estátua do Redentor já se traduziu em votos, em muita eleição por este Brasilzão de Deus.
Há ainda uma generosa oferta de cristos redentores para uso privado. As lojas de plantas e peças para jardins os oferecem ao lado dos cogumelos de pedra, sapos e anões da Branca de Neve. E assim o Cristo Redentor, eleito na semana passada uma das sete novas maravilhas do mundo, vai cumprindo, em paralelo a esse grandioso laurel, o destino de objetos tão triviais, gastos e desvalorizados quanto os pingüins de geladeira. No concurso das maravilhas, realizado em âmbito planetário, no qual as pessoas eram convidadas a votar pela internet ou pelo telefone, o Cristo chegou em terceiro lugar, logo atrás da Muralha da China e das ruínas de Petra, na Jordânia, e à frente de Machu Picchu, no Peru, de Chichén Itzá, no México, do Coliseu, em Roma, e do Taj Mahal, na Índia.
Dois aspectos dessa lista chamam atenção. O primeiro é como são velhas as novas maravilhas. O Cristo Redentor é o caçulinha. O segundo mais novo, o Taj Mahal, tem mais de 300 anos. As outras maravilhas datam da Antiguidade euroasiática ou do período pré-colombiano. Votou-se no certo e no seguro. Entre os 21 finalistas do concurso, a única obra de arquitetura moderna era a Ópera de Sydney. Mas é preciso lembrar que os australianos não tiveram nem antiguidade, nem incas, nem astecas. Não terá sido pelo gosto ao risco e à inovação que descarregaram seus votos numa obra de vanguarda. Mais provavelmente, foi por falta de alternativa. A exceção australiana confirma a regra de que, "na primeira eleição global da história", como alardeia a empresa que concebeu e organizou o concurso – e na qual, segundo a mesma empresa, mais de 100 milhões de votos foram contabilizados –, o voto foi maciçamente conservador.
O segundo aspecto é a esmagadora predominância do Terceiro Mundo, representado por seis das sete maravilhas da lista vencedora. O Coliseu é a única exceção. Não conseguiram se classificar nem a Torre Eiffel, nem a Estátua da Liberdade, nem o Alhambra. O Cristo – e seus companheiros, entre os quais dois irmãos latino-americanos, Machu Picchu e Chichén Itzá – papou-os todos, com farofa. No Brasil houve mobilização intensa em favor do candidato nacional, inclusive com campanhas promovidas por empresas. Supondo-se que, em outros países, a votação se tenha dado igualmente dentro de critérios nacionalistas, cada povo puxando por sua própria maravilha, a população do Terceiro Mundo terá se aproveitado de sua grande superioridade numérica para se impor. Foi como um concurso de miss, em que concorriam monumentos em vez de mulheres e em que todos podiam votar. O Brasil aproveitou-se da circunstância para, fechado em torno de um candidato único, não deixar escapar a oportunidade. Para essas coisas, brasileiro se mobiliza.


(Texto publicado originalmente na Revista Veja, da Editora Abril, Edição 2017, ano 40, n.º 28, de 18 de julho de 2007, na página 134)

Esqueçam o Hino!

Pelo menos para alguma coisa "cívica" serviram os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro: a redução do tempo de execução do Hino Nacional Brasileiro, de 4 minutos para 45 segundos.
Quando os brasileiros sobem ao ponto mais alto do pódio, para receber alguma medalha de ouro, ninguém consegue cantar direito a letra do Hino, pois todo mundo se atrapalha.
É só esse o problema? Grande novidade! Ninguém sabe cantar direito mesmo, seja em 45 segundos ou 4 minutos.
Por mim, a letra do Hino deveria ser abolida de uma vez por todas! Nós já passamos uma temporada boa de décadas sem cantar a letra do nosso Hino. Poderíamos voltar àqueles bons tempos em que, vivendo os ideais republicanos, não teríamos de exaltar o império e ao bucolismo de um Brasil provinciano e arcaico, como o da mentalidade do cara que ganhou o concurso nacional para a escolha da letra do Hino Brasileiro em 1906 (só vindo a ser oficializada em 1922), o tal de Joaquim Osório Duque Estrada.
Para quê nos esmerarmos em cantar uma coisa tão complicada de se entender como o nosso hino? Só vim saber depois de adulto, já na faculdade, que foram as margens plácidas do Ipiranga que ouviram um brado retumbante de um povo heróico. Olha só que masturbação filosófica de dar nos nervos...
É melhor ficarmos no lari-lará quando entoarmos nosso "orgulho" de brasileiros... Porque nem no finalzinho empolgante dá para ficar: quem disse que dos filhos deste solo o Brasil é mãe gentil?!
***
Curiosidade: vocês sabiam que a parte instrumental que introduz o Hino já teve letra também? Pois é... Que bom que acabou ficando de fora. Eu excluiria bem mais versos. Essa letra é atribuída a Américo de Moura, natural de Pindamonhangaba (SP), que foi Presidente da Província do Rio de Janeiro nos anos de 1879 e 1880. Olha só que onda era esse trecho:
"Espera o Brasil
Que todos cumprais
Com o vosso dever.
Eia avante, brasileiros, sempre avante!

Gravai com buril
Nos pátrios anais
Do vosso poder.
Eia avante, brasileiros, sempre avante!

Servi o Brasil
Sem esmorecer,
Com ânimo audaz
Cumpri o dever,
Na guerra e na paz,
À sombra da lei,
À brisa gentil
O lábaro erguei
Do belo Brasil.
Eia sus, oh sus!"
Eu sei que essa minha observação é uma idiotice, mas será que cortaram esse início porque mencionava as iniciais do Sistema Único de Saúde? Se não, o que peste é "sus"?

quarta-feira, 11 de julho de 2007

A metáfora perfeita

Quando respiramos, nossos pulmões cuidam o tempo todo de captar oxigênio e expulsar gás carbônico. Ou seja, grosso modo, a função do aparelho respiratório é fazer entrar o que presta e jogar fora o que não presta com relação ao nosso organismo.
Ora, quando se fuma, se joga para dentro do organismo não apenas gás carbônico, mas também mais de quatro mil e setecentas substâncias que afetam a saúde do indivíduo. Logo, analogamente, fumar seria o mesmo que comer merda, certo?
Certo. Então, se você for fumante e for também daqueles que se arretam quando alguém que não fuma vem com aqueles sermões contra o cigarro, assuma uma postura coerente e consciente de suas atitudes e responsabilidades. Mande seu recado de maneira curta e grossa, utilizando-se de uma nova metáfora: “Eu sou burro e como bosta!”.

Mopai

Eu sou assim
- mas mopai é gente boa
Apesar de mim
- mopai é gente boa
Mopai é por mim
- mopai é gente boa.
E sendo assim
- gente boa mopai sendo
Sendo gente boa mopai
- e eu cabra ruim
Mopai faz por mim
- não me deixa nunca à toa
Porque eu sou mesmo assim
- mas mopai é gente boa

Passei no mestrado!

Passei na prova escrita da seleção de Mestrado em Sociologia da UFAL. O resultado saiu hoje, ao meio-dia. Pedi, por telefone, à minha linda amiga Manu que procurasse saber para mim, já que ela se encontrava no CHLA, onde poderia pegar essas informações, e eu me encontrava inibido, paranóico, com medo de querer saber o que havia passado na cabeça da comissão avaliadora de minhas dissertações.
Mas aí depois ela disse felizmente: "Tu passou!".
"Eu o quê, menina?", perguntei incrédulo.
"Tu passasse!".
"Eu passei! Eu passei! Yuhuuu!!!", saí pinotando feito um besta defronte a Catedral Metropolitana de Maceió.
Valeram Marx e Engels, valeram Durkheim e Weber, valeram Bordieu, Giddens e Bauman! A companhia deles foi ótima nos últimos meses de preparo.
Luciano José: valeram as dicas sobre os conceitos de emancipação humana!
Simão, Jarbas e Cocada: valeram os ouvidos voltados a um chato que não parou de falar em Graciliano Ramos - seu objeto de estudo - ultimamente...
Meu falecido "Avô", o tenente Arthur Rezende Costa (meu primeiro conceito de herói), há exatos 75 anos completados no dia em que me submeti à seleção de 17 finalistas entre mais de 60 candidatos, marcou a história com a coragem dedicada à revolução que se levantou em defesa da democracia brasileira em 9 de julho de 1932. A ele, ao meu primeiro grande incentivador, eu dedico mais essa vitória.

terça-feira, 10 de julho de 2007

O semeador da discórdia

O professor é um semeador da discórdia.
Penso que a arte de educar é fazer como uma vez declarou Jesus Cristo, sobre o caráter de sua missão: disse ele que não veio trazer a paz, mas a espada. Para aqueles que se interessam pela pedagogia cristão, recomendo a leitura do Evangelho de Mateus, capítulo 10, versículo 34.
A missão do educador é ajudar a zelar não pela árvore, mas pela floresta do conhecimento que os educandos trazem plantada na terra fértil de suas mentes e corações, lançando novas sementes conceituais, e lembrando sempre que ele mesmo traz também em sua mente e em seu coração uma terra fértil que, apesar da diversidade de conceitos cultivados em sua floresta, deve ser aberta para receber as sementes que os educandos têm para lançar.
O professor deve assumir a identidade de semeador da discórdia somente para confrontar a lógica opressora que afirma ser ele realmente um semeador da discórdia, por assumir a defesa da libertação e da autonomia no processo educativo, e por tentar mostrar aos seus educadores-educandos que já estamos discordando há muito tempo, e que o tempo que passamos inventando condições, justificativas e técnicas para adquirirmos mais e mais distância uns dos outros, é o mesmo que poderia ser utilizado para promover a convivência em melhores condições de vida, tendo nossa existência confirmada pela alegria do encontro no olhar do outro...

Quero a minha parte

Qualquer dia desses eu me arreto, pego a reta e faço que nem o Lula, quando se referiu ao Brizola em '89: vou fazer reforma agrária nas fazendas do Renan!
Elas são bastante produtivas pecuariamente, eu sei, mas acontece que eu agora cismei que acho que sou conhecido do menino que é filho da amiga da prima do soldado que mora perto de lá de casa, e penso que, como toda essa galera - inclusive eu - é contribuinte e superexplorada, também mereço meu quinhão no privado patrimônio público do Presidente do Senado Federal, Sua Excelência o Senhor Renan Calheiros, construído ao longo de cerca de três décadas de vida pública (ele parece ainda não ter se acostumado com isso, o bichinho).
É um legado de sangue, suor e lágrimas (do lado dos bóias-frias de Murici), e lucros, orgasmos e privilégios (do lado dele). E ainda por cima parece que o todo-powerfull da boiada não renunciará nem ao cargo e muito menos ao mandato, e os outros pares seus não apontam na direção firme de punir a conduta indecorosa do neo-Marechal das Alagoas (porque Senhor de Engenho ele já era há muito tempo).
Fico fora dessa herança nada...

Em defesa do "Agrocombustível"

Depois do susto do título, permita-me explicar-me logo de início: eu não defendo o agronegócio. Ele arrasa a nossa saudável agricultura familiar e amplia a exclusão no campo. Não estou desse lado. Mas, quando lanço a idéia do "Agrocombustível", penso-o como termo, considero-o em sua construção etimológica.
Já que temos de conviver com o fato de se incentivar cada vez mais a produção de combustíveis alternativos aos derivados do petróleo, como a cana-de-açúcar (para a indústria sucro-alcooleira) e a mamona (para a produção do chamado "Biodiesel"), é melhor que pensemos num termo menos violento para nos referirmos a eles do que "Biocombustíveis".
"Biocombustível" é uma construção etimológica feia e ruim. Para você ver como é feia, tente pronunciá-la com a boca cheia de farinha. Para você ver como é ruim, observe como ela foi construída: são duas palavras que a compõem, uma de origem grega (biós, que significa "vida") e uma em língua portuguesa mesmo (Segundo o Aurélio: combustível adj2g e sm Que ou substância ou produto que produz combustão. [Pl.: -veis]).
Por acaso, em tempos de aquecimento global e de modernidade fluida como o rio da filosofia de Heráclito - que concebeu que o fogo era o princípio de todas as coisas -, não estaríamos vivendo a Era da Biocombustão, em que a queima se tornou o destino compulsório de tudo o que é vivo, justificando-se assim a lógica de consumo ininterrupto de nosso patrimônio e de nosso espírito?
"Biocombustível" me cheira a Inquisição, me leva para os fornos crematórios do Holocausto, me faz enxergar o céu cinza da fumaça das queimadas, me queima a pele, me aquece o planeta, me torra os pulmões, me faz de azeite...
Essas alternativas devem ser chamadas por outro nome. Bem que podem ser "Agrocombustíveis", evocando a idéia não da combustão da agricultura em si, mas da combustão provocada pela indústria agrícola, com sua ostensiva monocultura que arrasa o ambiente natural e, socialmente, contribui para o aprofundamento do processo de favelização do campo.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Contradigo que não!

Ainda que eu diga que não
Não é certo o que eu digo
Ao dizer que não é certo
Ler na luz dos teus olhos
Uma gota de aquiescência
Zombando de nós mesmos
Imanente à nossa vontade
Aumentando o nosso desejo

domingo, 8 de julho de 2007

Perfil de um professor

Eu concordo harmoniosamente com Paulo Freire quando afirma que o educador é um ser encantador...

O educador precisa ser:

profeta e poeta;

político e artista;

ético e estético;

bom e belo;

decente e bonito.

Enfim, ao fim das contas, um ser que encanta é tudo isso, e tudo isso, no fundo, é a mesma coisa...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Dificuldades do processo ensino-aprendizagem: o abismo entre a teoria e a prática

Presenciei hoje à tarde um exemplo de como necessitamos rever nossas práticas de ensino.
Estávamos na Escola Estadual Luiz Duarte, onde leciono Filosofia e Sociologia, quando abriu-se um intervalo para a eleição por aclamação de cinco representantes do corpo discente - todos eles do sexo masculino - para o Conselho Escolar.
Pedi um aparte para fazer uma observação sociológica a esse respeito, que me foi concedida e posteriormente interrompida de maneira brusca pela professora que conduzia o processo. Eu só consegui dizer a todos que observassem a massacrante ausência das alunas entre os candidatos. Imediatamente sofri uma nervosa interferência afirmando que elas sabiam mas não se interessaram por participar do processo. O problema é que essa intervenção fez parecer que eu estava culpando a professora pessoalmente, por esse problema.
Tudo o que eu queria era que os alunos aplicassem alguns conceitos a partir da análise de sua própria realidade: aquele momento reproduzia o modelo patriarcal que destina a mulher ao segundo plano no processo político, por "n" motivos.
Além disso, o fato de só poderem se inscrever alunos maiores de 18 anos, conforme regimento estabelecido pela Secretaria de Educação do Estado, lembra a democracia ateniense, da qual só podiam participar homens adultos e nascidos em Atenas. Ou seja, mulheres, crianças e estrangeiros não eram cidadãos.
Outra coisa interessante de se notar: as pessoas enchem a boca para pronunciar o nome do educador Paulo Freire, mas parecem desconhecer a sua proposta pedagógica, preferindo valorizar elementos que mais reproduzem a lógica de dominação do que aqueles que pretendem construir uma educação libertadora.
Eu apenas quis cumprir meu papel de educador, oferecendo um exercício prático de crítica social, mas, para variar, acabei não passando de um chato.
A propósito, já que na mentalidade vigente se valoriza mais as (digamos) disciplinas "práticas" do que as que exigem reflexão, eu lanço a seguinte pergunta, bem simples, mas que sempre me deixou curioso: você já usou alguma vez uma raiz quadrada, além da sala de aula?

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Aos opressores em miniatura

Está bem, meu amo!
O senhor manda e eu obedeço.
Eu também concordo que não devo mais dar chute em cachorro morto...

domingo, 1 de julho de 2007

Aniversário

O Real completou hoje 13 aninhos de existência.
Temos de cantar parabéns?

Café

O que seria do Brasil sem o café?
E dos barões? E dos paulistas? E dos filósofos dos botecos de Paris?
Isso sem falar nos fumantes, nos neuróticos (como eu, que já fui a sessões do N.A.), e nas vigílias que se arrastam noite afora...

Foi com Ariano Suassuna que eu descobri, já passado dos vinte anos, que eu tomava café por falta de personalidade: nunca consegui tomar café quente sem queimar o bico, por isso só tomava morno. E como dizem que café bom só presta quente... Resolvi, depois de velho, tomar vergonha, em vez de tentar tomar café para me enquadrar socialmente!

Ah, o café... Esse ouro negro que espalha seu aroma na quentura do vapor que exala sublime...
Esse líquido calórico que em seu bojo traz a força; traz o sangue e o suor do povo mouro, massacrado nas colheitas sob o sol do passado, impedidos de provar o gosto daquilo que eles mesmos produziam...

Mas café bom mesmo era o que Dona Zefa de Seu Ozano, vizinhos de onde eu morava, na Vila Nova, faziam semanalmente em seu quintal. Minha mãe conta que quando eu estava aprendendo a falar, eu ficava chamando o Seu Ozano para vir tomar café conosco: "Zã-nô! Fééé...".

O processo de preparo era mais ou menos o seguinte: primeiro o açúcar ia sendo derretido numa grande panela de barro, de uns sessenta centimetros de diâmetro, num forno à lenha, enquanto se espalhava cinzas sobre uma velha mesa de madeira.
Depois os grãos esverdeados eram lançados no melaço produzido pelo açúcar derretido, ainda na panela ao fogo, e bem mexidos com uma colher de pau.
Após determinado tempo, não lembro bem ao certo quanto, a panela de barro era tomada com cuidado, e seu conteúdo distribuído uniformemente pela superfície coberta de cinzas, onde resfriaria até se cristalizar.
Durante a espera, todo mundo batia papo, conversava, contava anedotas, se abria largamente em risos, e debulhava grãos de trigo assado na brasa que esquentava a panela de melaço. Era uma festa!
Passado, pois, o período necessário, aquela fria tábua granulada e escura em que se transformara a quente mistura de café e açúcar começava a ser quebrada e colocada no pilão, onde seria pisada. Aí era onde entrava a força dos braços de Dona Zefa, para cima e para baixo, dando aquelas pancadas surdas que desintegrava o cristal enegrecido.
O pó, recolhido, era moído para ficar ainda mais fino. As primeiras colheradas iam direto para o bule, em água fervente, com mais algumas colheradas de açucar, e, depois, para nossas canecas, filtrado pelo pano de coar dentro, saindo puro, esfumaçante...

Mais tarde, bem mais tarde, quando entrei na faculdade, caiu-me nas mãos um livrinho de Leonardo Boff intitulado Minima Sacramentalia - Os sacramentos da vida e a vida dos sacramentos, que me ajudou a compreender que, quando tomávamos aquele café (independentemente de queimar os lábios ou não), não era apenas uma bebida quente e escura de sabor peculiar da cultura brasileira, mas bebíamos e nos embriagávamos daqueles momentos vividos em plenitude.

Era, na verdade, todo o processo social, o trabalho duro, as histórias, as lendas, os sorrisos, as lágrimas, as conversas fora, as cantigas cantadas em conjunto, tudo! Tudo aquilo conseguia ser vivido e contido simbolicamente numa velha caneca de café, e eu rendo graças pelo sabor único daquela alegre convivência da qual tomei parte na infância...

"Entre, chegue, se assente! Vamos tomar um cafezinho..."

Meia-meia-meia (nenhuma referência à Besta-Fera)

A meia
Ameia
Amei-a

Amei
Assei
Ameacei

Amei-o
Asseio
Ameaceio

Ameacei-a
Amei
A ceia

Assei
Amei
A meia

Às seis
Ao mês
Armei

A meia.

Repercussão da carta

Olha a carta!
A coisa repercutiu até em jornais de grande circulação de Alagoas.
Vejamos o que saiu no O Jornal:

BRIGA
Em Palmeira dos Índios, não chamem os professores Wagner Marcelo e Cosme Rogério para a mesma festa. Wagner é o atual secretário municipal de Cultura e Cosme, o ex. Os dois andaram brigando por cartas e fazendo a festa da oposição. O tom dos textos tem mais rancor pessoal que político. A confusão ainda vai dar o que falar.

Fonte: ENTRELINHAS. Briga. O Jornal, Maceió, 1.º jul. 2007. p. A15.

sábado, 30 de junho de 2007

Por que há tanta corrupção no Brasil?

Pronto! Achamos uma frase que sintetiza bem uma explicação para se praticar tanta corrupção no Brasil:

"É a impunidade que anaboliza a corrupção, a convicção que todos têm de que não haverá punição. Mais do que modernizar e atualizar leis, precisamos de resultados no combate à impunidade."
(CALHEIROS, Renan. A ética necessária. In: Retratos Brasileiros. Brasília: Senado Federal, 2002)

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Sísifo ainda rola

Segundo a mitologia grega, mais precisamente na Odisséia, atribuída a Homero, Sísifo foi um rei de Corinto, condenado por Hades, deus dos mortos, a rolar uma pedra gigante ao topo de uma montanha.
Pobre Sísifo... Não havia na mitologia um Newton que pudesse explicar que a gravidade era a maior inimiga do monarca coríntio, que deve ter se visto doido quando o monolito voltou ao ponto de partida na primeira vez, e assim em sucessivas tentativas que logo se tornariam eternas...
No livro Le mythe de Sysiphe, Albert Camus utilizou a alegoria de Sísifo como metáfora da condição humana, que traz consigo o absurdo de uma existência que nos exige esforço, apela à nossa vontade, mas não atinge uma realização plena.
A questão é saber se daríamos o melhor de nós nesse esforço de rolar a nossa pedra existencial até seu destino virtual.
Pelo menos, Sísifo deu...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Anti-comércio

Foi aos 16 anos que deparei-me com um primeiro conceito de "anti-comércio".
Claro que foi um conceito troncho, pois veio de ninguém menos que o Carlos da Ultradata, a quem carinhosa e secretamente chamávamos de "Faquir". Sim, porque este grande empresário da área da informática de Palmeira dos Índios (o pioneiro, por sinal), passava o dia inteiro em casa, deitado com seu corpo esquálido num sofá, diante do micro, fumando cigarros sem conta, nu da cintura para cima, só faltando mesmo os pregos para completar a caracterização do tipo hindu globalizado.
Em '98 ganhei um computador da minha mãe, comprado ao Faquir. Pois, por desatenção, o cara acabou nos vendendo a máquina a preço de custo, e ainda com desconto. Ou seja, ele não lucrava nada, e ainda saía perdendo com a venda.
"Mas, Carlos - tentava argumentar a Liduína (secretária, diretora financeira, sócia e então esposa do Faquir) -, você não vê que essa transação está errada? Que não faz o menor sentido?"
O Faquir, bruto como um suricato geneticamente emendado com um cavalo, muito seguro de si e de seus atos, jamais admitia um erro e por isso mesmo mandava brasa para cima da coitada:
"Putaquipariu, Liduína! Eu sei muito bem o que estou fazendo! Estou fazendo anti-comércio!!!"

Com a palavra para analisar esse fato e esse conceito, todos os interessados, de Adam Smith a Karl Marx...

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Tia Luíza: quinze dias de saudades...

Hoje faz quinze dias que faleceu minha tia-avó materna Luíza Vicência dos Santos, vítima das conseqüências de uma queda de um corpo enfraquecido pelo peso de 87 anos de idade.
Com Tia Luíza fenece a última pétala da flor que brotou do amor dos ancestrais Ezequiel Mélo e Vicência Maria. Ela foi a última descendente direta de meus bisavós a nos deixar com saudades de uma geração marcada pelas vivências de praticamente todo o século XX: seca, fome, sofrimento e resistência, das quais nos restarão lições a serem seguidas agora ainda mais, já que nos caberá, aos remanescentes dessa nova era, o papel de preservar as antigas memórias da família e construirmos as nossas, com nossos sonhos de futuro.
Penso que finalmente minha bisavó deve estar muito feliz, tendo ao seu lado todos os filhos e filhas: Tio Virgílio, Tia Celina, Tia Dodô, Ti' Zé (todo mundo tem um Ti' Zé!), Vovó Maria Vicência (tão lindo nome!), e aquela caçula que nunca pôde ter nos braços - a mesma que também nunca experimentou chamar alguém por mãe...
Hoje Tia Luíza vai ao encontro da família originária, vivendo a eterna alegria do reencontro com quem sempre acreditou que iria estar, na Santa Glória, um dia...

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Trialética

O primeiro lançou o conceito
O segundo negou o primeiro
O terceiro negou o segundo

O primeiro foi reafirmado
O segundo lapidou o primeiro
O terceiro jogou a semente

Primeiro segundo terceiro
Terceiro segundo primeiro
Primeiro terceiro segundo

Trilogia de uma mesma identidade

Concremestível

Moço!
Por favor,
me dê um x-burguer!

Mas sem argamassa,
sem reboco,
sem emboço de azulejo,
e nem forro em PVC.

Coloque um pouco de concreto,
só um lastro de madeira,
e capriche na pintura.

Nesse sonho de ter uma casa própria,
coloque uma pitada de absurdo.

Bem passado.

Obrigado.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Alta percepção

Foi o Cooper quem chamou a minha atenção.
Fez-me ver que é besteira sonhar com alturas,
Já que lá de cima o céu se faz chão...

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Filosofia da periferia

Essa pérola eu ouvi de um "maluco" lá da Ribeira:

"A alegria do ligado é a nóia. A do careta, é o boato."

Fora, Téo Vilela! Téo Vilela, Fora!

Se antes tínhamos apenas nossas reivindicações pelo cumprimento da lei justamente conquistada pela classe trabalhadora de Alagoas como alavanca do processo de desmascaramento do Governo Téo Vilela, agora temos um novo e crucial elemento que reforça nossa iniciativa: as imoralidades que envolvem o nome do Senhor Governador e do Senhor Presidente do Senado Federal no escândalo do bigodudo empreiteiro que é dono da Construtora Gautama.
Temos de agradecer ao Téo Vilela pelo fato de mais uma vez o Estado de Alagoas aparecer no mar de lama do cenário nacional (já que o Collor está muito chato para posar de corrupto).

***

Agora, depois do agradecimento, cantemos a paródia da música do Jacinto Silva, que diz:

"Fora, Téo Vilela! Téo Vilela, fora!
Fora, Téo Vilela - pague o povo - e vá embora!"

Cocada

Você conhece o companheiro Cocada?
Ele é dali da Jatiúca
Batizado por Boneta
Já jogou no CSE
Xerocou na Kariri
Se dá bem com todo mundo
Tira onda pra caramba
Ri da venta do Maraca
É casado com Heloilda,
É pai coruja da Yndira
É um cara solidário
Todo mundo gosta dele
Luta e rala todo dia
Como todo brasileiro

Observação:
Ele sempre vem com aquela de complexo de Édipo.
Vá cair na lomba do Cocada.
Dê uma de besta e o cavalo lhe coma.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Esclarecimentos sobre o acidente que sofri

Gente, presta atenção!
Sofri um acidente motociclístico (quase me lasco!), na última sexta (18/05/2007), numa derrapada em pista molhada, em Palmeira de Fora, enquanto pretendia ir para a escola onde ensino, em Canafístula de Frei Damião.
O capacete salvou minha cabeça e recomendo que sempre o usem!
Ainda bem que só fraturei o pé esquerdo, mas no mesmo dia, ou melhor, na mesma e inteira noite, dancei forró que só a beleza.
Na manhã do outro dia, sem ter dormido, fui à Aldeia Indígena da Mata da Cafurna, na Serra da Boa Vista, acompanhando alguns alunos do curso de História da UNEAL.
Fui de carro, mas voltei a pé.
Já estou sem tala, com meu pé bom e recuperado novamente, pronto para continuar dançando (nunca pronto para outro acidente!)
Podem me chamar de osso duro de roer...

Mas tudo isso fez-me lembrar de um provérbio africano que diz:

"NÃO PARAMOS DE DANÇAR PORQUE ENVELHECEMOS.
ENVELHECEMOS PORQUE PARAMOS DE DANÇAR!"

terça-feira, 15 de maio de 2007

Infinitos valores...

Às vezes fico pensando, divagando, devagar quase parando, em alguma idéia de algum filósofo em alguma época... Mas há um que só me faz lembrar das aulas de Matemática que tive em 1999, na eterna turma 2221-B, Edificações + Ensino Médio, com o Professor Luís Galdino. “Num intervalo de uma reta real, nós temos infinitos valores!”, dizia ele enfaticamente enquanto desenhava bolas abertas ou fechadas distribuídas numa reta perfeccionistamente desenhada à mão pelo dito cujo.
O filósofo em questão é um eleata antigo, chamado Zenon (ou Zenão, como preferir), que parece ter sido o primeiro maluco a pensar nessas coisas. Vejamos só: para um objeto percorrer determinado caminho, ele precisa percorrer a metade desse caminho. Para percorrer a metade, precisará percorrer a metade da metade. Para percorrer a metade da metade (um quarto, para ficar distinto e bonito), é preciso percorrer metade da metade da metade, ou um oitavo (pegando a moda) desse caminho, e assim sucessiva e divisoriamente.
Vamos sempre tender ao infinito desse jeito... E vamos chegar a um momento em que o objeto nunca saiu do ponto de lançamento, se é que você me entende...
Faça o teste prático: pegue uma pedra e atire na cabeça da sua sogra. Veja o que acontece!

DESALDEÍNDIO

Subi, noiteontem, pela Mata da Cafurna.
Desci, hoje cedo, pela Serra do Coité.
Cantando na fazenda em que se dança o Ouricuri,
Capelei no Boqueirão e me vi desaldeado...

UJS, Congresso da UNE e fraudes em Palmeira dos Índios

As eleições para a escolha de delgados e delegadas que iriam representar os estudantes da UNEAL de Palmeira dos Índios no 50.º Congresso da União nacional dos Estudantes - UNE foram marcadas pela fraude no processo democrático e deliberativo. Senão, vejamos:O Edital de Convocação das eleições foi lançado no dia 18 de abril e as inscrições de chapa já seriam no período de 18 a 20 de abril, sem divulgação, sem o envolvimento da classe estudantil, ausência das discussões que despertassem o interesse dos estudantes, e com sérias e profundas contradições com o Regimento do Congresso, criado ao bel-prazer de um pequeno grupo que se diz ligado à União da Juventude Socialista (UJS).Discordando da prática política que usa a burocracia para fugir do debate de idéias e manipular a opinião dos estudantes, é que manifesto aqui o repúdio de quem não é cúmplice nem omisso ante ao semear de práticas viciosas e viciadas - fonte de todos os males e corrupções na vida política!

segunda-feira, 14 de maio de 2007

MONOCANA

Observei da janela
A monocultura da cana
- Que engana!
- Que usurpa

os frutos
do ventre
da terra.

E que nega
a dignidade
e a força
da foice
que corta o caniço da planta

E acaba ceifando
A vida
A alma
E lacerando a carne

De quem produz para o dono
Do engenho e da grana
- Que engana!

E que mistura com sangue...
... O melaço da cana!

(Palmeira dos Índios - Maceió, pela BR-316, trecho entre Marimbondo e Atalaia, em 07/02/2007)

sábado, 12 de maio de 2007

Palmeira dos Índios - A Cinderela do Sertão

Todo mundo conhece a estorinha da Cinderela. Trata-se daquela menina oprimida pela madrasta, para a qual apareceu uma fada-madrinha que concedeu-lhe sapatinhos que a transformaria numa bela princesa (pelo menos uma mocinha mais apresentável nas festas promovidas pela classe dominante). Pois bem. Hoje eu comparo Palmeira dos Índios com a Cinderela.Oh, cidade que não consegue garantir a continuidade de nenhuma ação que dá certo...!Vez por outra surge alguma fada travestida de grupos políticos os mais diversos, oferecendo sapatinhos mágicos que coloquem a cidade nos trilhos do desenvolvimento.
O fato é que vemos florescer ações isoladas, que não partem do conjunto da sociedade e nem contemplam a transformação da mesma para melhores condições e qualidade de vida. Elas acabam sendo plenamente controladas por pequenos agrupamentos políticos isolados, que agem como maquiadores com o propósiio apenas de preparar a Cinderela para os bailes da vida, mesmo que ela permanecesse morando entre as misérias da vida... Passada a festa, a bichinha às pressas perde até um dos sapatos, correndo manca ao seu mundo degradante e degradado.A desoladora situação de nossa cidade se deve à falta de prosseguimento de práticas louváveis, de uma maior atenção e respeito às prioridades básicas de um município que quer reviver (e isso é possível!) os tempos áureos da auto-estima de do orgulho de ser palmeirense. Isso sem falar de um obstáculo ainda maior: a falta de coragem e ousadia em avançar em propostas que dão certo, e desinteresse em alternativas que não devolva aos grupos políticos os benefícios imediatos e práticos na construção e manutenção de uma candidatura. Numa palavras: tudo coisa eleitoreira!Se chamamos Palmeira dos Índios de "Princesa" (até mesmo de uma área geográfica à margem de seu alcance territorial, no caso, "do Sertão"), então devemos nos empenhar, com muita participação político-popular, para fazê-la encontrar o seu sapatinho e acerte o passo do desenvolvimento econômico-social. Isso antes que irreversivelmente seja tarde demais, e a carruagem da Cinderela acabe de novo virando abobrinha...

O Brasil que queremos: Um Brasil que mostre a sua cara

Certamente o trecho da emblemática canção do poeta Cazuza bem sintetiza os nossos anseios ante a reflexão sobre o país que queremos. Queremos sim ver a cara do Brasil. Mas, qual cara?As inúmeras máscaras que denunciam a falência do modelo neoliberal requerem que redesenhemos para o Brasil uma nova proposta de desenvolvimento, apreendendo-o em todas as suas dimensões, muito além da perspectiva econômica que reduz cidadãos a meros consumidores, e o Estado, a um indecente balcão de negócios.É preciso sim fazer o país crescer economicamente. Mas garantindo o envolvimento do conjunto da sociedade, avançando na proposta de diminuição das desigualdades. Não podemos tão-somente nos preocupar em fazer crescer a economia, devorar nosso patrimônio natural em detrimento de alguns privilegiados, enquanto a base da pirâmide social permanece sendo oprimida.Se não se amplia o acesso aos direitos sociais, valorizando setores estratégicos e primordiais para a construção de uma nova sociedade, tais como educação e cultura, maquia-se uma face estarrecedora do Brasil, que não queremos mais contemplar de jeito nenhum! O PT, o Governo e os movimentos sociais devem cumprir o papel de conduzir esse processo de reforma, fortalecendo o diálogo e o compromisso com os avanços que precisam ser efetivados.Esse novo Brasil, de face cheia de ternura e resistência, tem sido vislumbrado no cotidiano da luta pela (e em defesa da) terra; pela conquista e pela garantia dos direitos dos trabalhadores, dos estudantes, da criança, do adolescente, do jovem, do idoso, da mulher... Pela construção de uma nova cultura da inclusão e da solidariedade.Queremos preservar não só o meio ambiente (em tempos de aquecimento global, principalmente), mas o ambiente inteiro, incluindo-se nele a pessoa humana e sua dignidade.A cara do Brasil que queremos é a da juventude combatente, sem maquiagens que iludam ou que façam vender (sempre vender, consumir) uma imagem falsa de nossa gente. Uma cara, se necessário for, pintada para a luta, como corajosamente fizeram e fazem nossos povos indígenas. Uma cara alegre e resistente, como a de nosso povo negro que aprendeu a fazer do tropeço um passo de dança. Uma cara corajosa de quem se expõe ao sol e semeia na terra o alimento, construindo um povo forte na vida e no sonho.É necessário que o PT seja e busque ser um agente de transformação a partir da permanente participação nas lutas e conquistas sociais, que consolidam as mudanças necessárias para a estruturação e efetivação de um Estado democrático-popular.Esse Brasil, desmascarado, mas cheio de caráter, deve servir de parâmetro e paradigma para a nossa caminhada como o Partido que quer protagonizar as profundas transformações da realidade brasileira.

*Rogério é filósofo, Professor da Rede Pública Estadual de Alagoas e da Faculdade S. Tomás de Aquino (FACESTA), Ex-Secretário Municipal de Cultura, Turismo e Esporte de Palmeira dos Índios, Secretário de Comunicação do Diretório Municipal do PT.*Artigo enviado em 7 de março de 2007

(Artigo originalmente publicado na Tribuna de Debate. http://www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=3455)