É justo isso?

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terça-feira, 24 de julho de 2007

Pergunta idiota

É nessas horas que surgem algumas daquelas perguntinhas idiotas do tipo: "por que o céu é azul?". Ora, porque a atmosfera funciona como um filtro que só deixa escapar da luz branca a cor azul.
Respondida essa bobagem, que às vezes pseudo-filósofos querem revestir de indagação filosófica, fica outra pergunta no ar: "se a caixa-preta de um avião é praticamente indestrutível, por que não fazem o avião inteiro com a mesma segurança da caixa-preta?".

Sabotagem aérea – A Era do Relaxa e Goza

Desde o início da crise aérea no Brasil eu venho dizendo que isso é sabotagem.
Tudo teve início com a queda, em 29 de setembro de 2006, do avião da Gol que vinha em sua rota, certinho, até que um outro avião, um Legacy pilotado por estadunidenses, trombou e fez dele pedacinhos ao se chocar no chão amazônico. Daí uma crise que revelou e ainda revela a insegurança nas “viagens mais seguras do mundo”. Controladores de vôo insubordinados, congestionamento nos aeroportos, atrasos nos vôos, Ministra do Turismo e sexóloga mandando todo mundo deixar de estresse, relaxar e gozar... Teria sido o maior desastre aéreo da história da aviação brasileira se, durante a festa do Pan, outro terrível desastre envolvendo um Airbus da TAM, durante o pouso, não acontecesse, dez meses depois da queda do avião da Gol e dez anos depois de um Fokker 100, também da TAM, se lançar após a decolagem sobre algumas moradias.
A minha teoria conspiratória coloca a culpa disso tudo nos Estados Unidos. Não é por nada não, mas só o fato de haver uma briga histórica sobre quem inventou o avião primeiro – se foi o brasileiro de sobrenome francês Santos Dumont ou se foram os estadunidenses Irmãos Wright – já justifica um pouco a nuvem carregada que nos fez esquecer as comemorações dos 100 anos do vôo do 14-Bis, e a nos comover e a nos solidarizar com tantas e tantas vítimas, fatais ou de qualquer modo afetadas, por essa crise aérea.
Vale lembrar o que aconteceu na Base de Alcântara, no Maranhão, numa das portas de entrada da Floresta Amazônica, quando, há alguns poucos anos, explodiu aquele foguete que matou todos aqueles trabalhadores empenhados no sonho do Programa Espacial Brasileiro. A coincidência é que a tragédia aconteceu após o fim do contrato sem renovação do aluguel da Base Militar aos Estados Unidos, fato que ameaçava a nossa segurança e a nossa soberania.
Sem falar na “zona fantasma” da Amazônia – rota de entrada de vôos internacionais oriundos dos Estados Unidos, boa parte de Nova Iorque.
Que tem coisa errada nisso tudo, tem. E parece que o dedinho do Tio Sam, mais uma vez, patrocina essa chacina na periferia do mundo...
Aproveitem a nova era: "Relaxa e goza", povo brasileiro...

"Grandeza e miséria do Cristo Redentor", por Roberto Pompeu de Toledo


O brilhante ensaio do Roberto Pompeu de Toledo, exposto a seguir, merece ser lido por todos aqueles que têm em sua cidade uma estátua de Cristo com os braços abertos – como a que há, no alto da Serra do Goiti, em Palmeira dos Índios.


Grandeza e miséria do Cristo Redentor


Mobilizados, os brasileiros elegeram uma estátua meio assustadora uma das maravilhas do mundo


Se há alguma coisa feia no Rio de Janeiro, é o Cristo Redentor. Bonito é o pico em que está fincado, uma pedra que sobe lá em cima, o cocuruto a varar com audácia territórios privativos do céu. Mais bonita ainda é a vista lá de cima, a mais bela que se pode ter de uma cidade. O caminho para chegar ao topo também é bonito. O jornalista Marcos Sá Corrêa, num artigo recente, citou o registro deixado pela francesa Adèle Toussaint-Samson, professora que morou no Rio nos tempos do Império – quando ainda não havia Cristo sobre o Corcovado –, depois de uma escalada de seis horas: "Eu podia imaginar um pouco a vista esplêndida que me esperava lá em cima. Mas não pudera pressentir a emoção profunda que sentiria à visão de uma natureza saindo virgem das mãos de Deus".
Já o Cristo, em si... A expressão é vazia como a de um robô. É pesadão como um guindaste. Tirem-no de seu contexto e, num palco, viria a calhar para encarnar a estátua de pedra que determinou a ruína de Don Juan. O olhar que não olha é de um extraterrestre desembarcado com a missão de assustar. A figura é toda rígida, gelada, esquemática. Marcos Sá Corrêa ressalta a sorte de o Cristo estar cravado num lugar decretado parque nacional. "Quem não sabe o que isso quer dizer, imagine tirar a estátua de onde está para pô-la no morro mais alto do Complexo do Alemão, a que também não faltam credenciais para representar a autêntica paisagem urbana do Rio."
O entorno deslumbrante o salva. Mas há algo de que não se pode perdoá-lo: o mau exemplo com que contaminou cidades, vilas, vilarejos e bairros Brasil afora. Contam-se aos milhares os cristos redentores que brotaram pelo país nestes 76 anos que se seguiram à implantação do primeiro, no alto do Corcovado. São cópias que, não podendo repetir o gigantismo do original, se assemelham a rebentos malformados de espécimes premiadas. São encontráveis no topo de morrinhos miúdos, feios, indignos, ou no centro de praças tacanhas. Para prefeitos sem conta, inaugurar o Cristo Redentor da cidade representou ponto de honra do mandato. Ainda que em versão nanica, ou disforme, ou com feições ainda mais assustadoras do que o original, a estátua do Redentor já se traduziu em votos, em muita eleição por este Brasilzão de Deus.
Há ainda uma generosa oferta de cristos redentores para uso privado. As lojas de plantas e peças para jardins os oferecem ao lado dos cogumelos de pedra, sapos e anões da Branca de Neve. E assim o Cristo Redentor, eleito na semana passada uma das sete novas maravilhas do mundo, vai cumprindo, em paralelo a esse grandioso laurel, o destino de objetos tão triviais, gastos e desvalorizados quanto os pingüins de geladeira. No concurso das maravilhas, realizado em âmbito planetário, no qual as pessoas eram convidadas a votar pela internet ou pelo telefone, o Cristo chegou em terceiro lugar, logo atrás da Muralha da China e das ruínas de Petra, na Jordânia, e à frente de Machu Picchu, no Peru, de Chichén Itzá, no México, do Coliseu, em Roma, e do Taj Mahal, na Índia.
Dois aspectos dessa lista chamam atenção. O primeiro é como são velhas as novas maravilhas. O Cristo Redentor é o caçulinha. O segundo mais novo, o Taj Mahal, tem mais de 300 anos. As outras maravilhas datam da Antiguidade euroasiática ou do período pré-colombiano. Votou-se no certo e no seguro. Entre os 21 finalistas do concurso, a única obra de arquitetura moderna era a Ópera de Sydney. Mas é preciso lembrar que os australianos não tiveram nem antiguidade, nem incas, nem astecas. Não terá sido pelo gosto ao risco e à inovação que descarregaram seus votos numa obra de vanguarda. Mais provavelmente, foi por falta de alternativa. A exceção australiana confirma a regra de que, "na primeira eleição global da história", como alardeia a empresa que concebeu e organizou o concurso – e na qual, segundo a mesma empresa, mais de 100 milhões de votos foram contabilizados –, o voto foi maciçamente conservador.
O segundo aspecto é a esmagadora predominância do Terceiro Mundo, representado por seis das sete maravilhas da lista vencedora. O Coliseu é a única exceção. Não conseguiram se classificar nem a Torre Eiffel, nem a Estátua da Liberdade, nem o Alhambra. O Cristo – e seus companheiros, entre os quais dois irmãos latino-americanos, Machu Picchu e Chichén Itzá – papou-os todos, com farofa. No Brasil houve mobilização intensa em favor do candidato nacional, inclusive com campanhas promovidas por empresas. Supondo-se que, em outros países, a votação se tenha dado igualmente dentro de critérios nacionalistas, cada povo puxando por sua própria maravilha, a população do Terceiro Mundo terá se aproveitado de sua grande superioridade numérica para se impor. Foi como um concurso de miss, em que concorriam monumentos em vez de mulheres e em que todos podiam votar. O Brasil aproveitou-se da circunstância para, fechado em torno de um candidato único, não deixar escapar a oportunidade. Para essas coisas, brasileiro se mobiliza.


(Texto publicado originalmente na Revista Veja, da Editora Abril, Edição 2017, ano 40, n.º 28, de 18 de julho de 2007, na página 134)

Esqueçam o Hino!

Pelo menos para alguma coisa "cívica" serviram os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro: a redução do tempo de execução do Hino Nacional Brasileiro, de 4 minutos para 45 segundos.
Quando os brasileiros sobem ao ponto mais alto do pódio, para receber alguma medalha de ouro, ninguém consegue cantar direito a letra do Hino, pois todo mundo se atrapalha.
É só esse o problema? Grande novidade! Ninguém sabe cantar direito mesmo, seja em 45 segundos ou 4 minutos.
Por mim, a letra do Hino deveria ser abolida de uma vez por todas! Nós já passamos uma temporada boa de décadas sem cantar a letra do nosso Hino. Poderíamos voltar àqueles bons tempos em que, vivendo os ideais republicanos, não teríamos de exaltar o império e ao bucolismo de um Brasil provinciano e arcaico, como o da mentalidade do cara que ganhou o concurso nacional para a escolha da letra do Hino Brasileiro em 1906 (só vindo a ser oficializada em 1922), o tal de Joaquim Osório Duque Estrada.
Para quê nos esmerarmos em cantar uma coisa tão complicada de se entender como o nosso hino? Só vim saber depois de adulto, já na faculdade, que foram as margens plácidas do Ipiranga que ouviram um brado retumbante de um povo heróico. Olha só que masturbação filosófica de dar nos nervos...
É melhor ficarmos no lari-lará quando entoarmos nosso "orgulho" de brasileiros... Porque nem no finalzinho empolgante dá para ficar: quem disse que dos filhos deste solo o Brasil é mãe gentil?!
***
Curiosidade: vocês sabiam que a parte instrumental que introduz o Hino já teve letra também? Pois é... Que bom que acabou ficando de fora. Eu excluiria bem mais versos. Essa letra é atribuída a Américo de Moura, natural de Pindamonhangaba (SP), que foi Presidente da Província do Rio de Janeiro nos anos de 1879 e 1880. Olha só que onda era esse trecho:
"Espera o Brasil
Que todos cumprais
Com o vosso dever.
Eia avante, brasileiros, sempre avante!

Gravai com buril
Nos pátrios anais
Do vosso poder.
Eia avante, brasileiros, sempre avante!

Servi o Brasil
Sem esmorecer,
Com ânimo audaz
Cumpri o dever,
Na guerra e na paz,
À sombra da lei,
À brisa gentil
O lábaro erguei
Do belo Brasil.
Eia sus, oh sus!"
Eu sei que essa minha observação é uma idiotice, mas será que cortaram esse início porque mencionava as iniciais do Sistema Único de Saúde? Se não, o que peste é "sus"?

quarta-feira, 11 de julho de 2007

A metáfora perfeita

Quando respiramos, nossos pulmões cuidam o tempo todo de captar oxigênio e expulsar gás carbônico. Ou seja, grosso modo, a função do aparelho respiratório é fazer entrar o que presta e jogar fora o que não presta com relação ao nosso organismo.
Ora, quando se fuma, se joga para dentro do organismo não apenas gás carbônico, mas também mais de quatro mil e setecentas substâncias que afetam a saúde do indivíduo. Logo, analogamente, fumar seria o mesmo que comer merda, certo?
Certo. Então, se você for fumante e for também daqueles que se arretam quando alguém que não fuma vem com aqueles sermões contra o cigarro, assuma uma postura coerente e consciente de suas atitudes e responsabilidades. Mande seu recado de maneira curta e grossa, utilizando-se de uma nova metáfora: “Eu sou burro e como bosta!”.

Mopai

Eu sou assim
- mas mopai é gente boa
Apesar de mim
- mopai é gente boa
Mopai é por mim
- mopai é gente boa.
E sendo assim
- gente boa mopai sendo
Sendo gente boa mopai
- e eu cabra ruim
Mopai faz por mim
- não me deixa nunca à toa
Porque eu sou mesmo assim
- mas mopai é gente boa

Passei no mestrado!

Passei na prova escrita da seleção de Mestrado em Sociologia da UFAL. O resultado saiu hoje, ao meio-dia. Pedi, por telefone, à minha linda amiga Manu que procurasse saber para mim, já que ela se encontrava no CHLA, onde poderia pegar essas informações, e eu me encontrava inibido, paranóico, com medo de querer saber o que havia passado na cabeça da comissão avaliadora de minhas dissertações.
Mas aí depois ela disse felizmente: "Tu passou!".
"Eu o quê, menina?", perguntei incrédulo.
"Tu passasse!".
"Eu passei! Eu passei! Yuhuuu!!!", saí pinotando feito um besta defronte a Catedral Metropolitana de Maceió.
Valeram Marx e Engels, valeram Durkheim e Weber, valeram Bordieu, Giddens e Bauman! A companhia deles foi ótima nos últimos meses de preparo.
Luciano José: valeram as dicas sobre os conceitos de emancipação humana!
Simão, Jarbas e Cocada: valeram os ouvidos voltados a um chato que não parou de falar em Graciliano Ramos - seu objeto de estudo - ultimamente...
Meu falecido "Avô", o tenente Arthur Rezende Costa (meu primeiro conceito de herói), há exatos 75 anos completados no dia em que me submeti à seleção de 17 finalistas entre mais de 60 candidatos, marcou a história com a coragem dedicada à revolução que se levantou em defesa da democracia brasileira em 9 de julho de 1932. A ele, ao meu primeiro grande incentivador, eu dedico mais essa vitória.

terça-feira, 10 de julho de 2007

O semeador da discórdia

O professor é um semeador da discórdia.
Penso que a arte de educar é fazer como uma vez declarou Jesus Cristo, sobre o caráter de sua missão: disse ele que não veio trazer a paz, mas a espada. Para aqueles que se interessam pela pedagogia cristão, recomendo a leitura do Evangelho de Mateus, capítulo 10, versículo 34.
A missão do educador é ajudar a zelar não pela árvore, mas pela floresta do conhecimento que os educandos trazem plantada na terra fértil de suas mentes e corações, lançando novas sementes conceituais, e lembrando sempre que ele mesmo traz também em sua mente e em seu coração uma terra fértil que, apesar da diversidade de conceitos cultivados em sua floresta, deve ser aberta para receber as sementes que os educandos têm para lançar.
O professor deve assumir a identidade de semeador da discórdia somente para confrontar a lógica opressora que afirma ser ele realmente um semeador da discórdia, por assumir a defesa da libertação e da autonomia no processo educativo, e por tentar mostrar aos seus educadores-educandos que já estamos discordando há muito tempo, e que o tempo que passamos inventando condições, justificativas e técnicas para adquirirmos mais e mais distância uns dos outros, é o mesmo que poderia ser utilizado para promover a convivência em melhores condições de vida, tendo nossa existência confirmada pela alegria do encontro no olhar do outro...

Quero a minha parte

Qualquer dia desses eu me arreto, pego a reta e faço que nem o Lula, quando se referiu ao Brizola em '89: vou fazer reforma agrária nas fazendas do Renan!
Elas são bastante produtivas pecuariamente, eu sei, mas acontece que eu agora cismei que acho que sou conhecido do menino que é filho da amiga da prima do soldado que mora perto de lá de casa, e penso que, como toda essa galera - inclusive eu - é contribuinte e superexplorada, também mereço meu quinhão no privado patrimônio público do Presidente do Senado Federal, Sua Excelência o Senhor Renan Calheiros, construído ao longo de cerca de três décadas de vida pública (ele parece ainda não ter se acostumado com isso, o bichinho).
É um legado de sangue, suor e lágrimas (do lado dos bóias-frias de Murici), e lucros, orgasmos e privilégios (do lado dele). E ainda por cima parece que o todo-powerfull da boiada não renunciará nem ao cargo e muito menos ao mandato, e os outros pares seus não apontam na direção firme de punir a conduta indecorosa do neo-Marechal das Alagoas (porque Senhor de Engenho ele já era há muito tempo).
Fico fora dessa herança nada...

Em defesa do "Agrocombustível"

Depois do susto do título, permita-me explicar-me logo de início: eu não defendo o agronegócio. Ele arrasa a nossa saudável agricultura familiar e amplia a exclusão no campo. Não estou desse lado. Mas, quando lanço a idéia do "Agrocombustível", penso-o como termo, considero-o em sua construção etimológica.
Já que temos de conviver com o fato de se incentivar cada vez mais a produção de combustíveis alternativos aos derivados do petróleo, como a cana-de-açúcar (para a indústria sucro-alcooleira) e a mamona (para a produção do chamado "Biodiesel"), é melhor que pensemos num termo menos violento para nos referirmos a eles do que "Biocombustíveis".
"Biocombustível" é uma construção etimológica feia e ruim. Para você ver como é feia, tente pronunciá-la com a boca cheia de farinha. Para você ver como é ruim, observe como ela foi construída: são duas palavras que a compõem, uma de origem grega (biós, que significa "vida") e uma em língua portuguesa mesmo (Segundo o Aurélio: combustível adj2g e sm Que ou substância ou produto que produz combustão. [Pl.: -veis]).
Por acaso, em tempos de aquecimento global e de modernidade fluida como o rio da filosofia de Heráclito - que concebeu que o fogo era o princípio de todas as coisas -, não estaríamos vivendo a Era da Biocombustão, em que a queima se tornou o destino compulsório de tudo o que é vivo, justificando-se assim a lógica de consumo ininterrupto de nosso patrimônio e de nosso espírito?
"Biocombustível" me cheira a Inquisição, me leva para os fornos crematórios do Holocausto, me faz enxergar o céu cinza da fumaça das queimadas, me queima a pele, me aquece o planeta, me torra os pulmões, me faz de azeite...
Essas alternativas devem ser chamadas por outro nome. Bem que podem ser "Agrocombustíveis", evocando a idéia não da combustão da agricultura em si, mas da combustão provocada pela indústria agrícola, com sua ostensiva monocultura que arrasa o ambiente natural e, socialmente, contribui para o aprofundamento do processo de favelização do campo.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Contradigo que não!

Ainda que eu diga que não
Não é certo o que eu digo
Ao dizer que não é certo
Ler na luz dos teus olhos
Uma gota de aquiescência
Zombando de nós mesmos
Imanente à nossa vontade
Aumentando o nosso desejo

domingo, 8 de julho de 2007

Perfil de um professor

Eu concordo harmoniosamente com Paulo Freire quando afirma que o educador é um ser encantador...

O educador precisa ser:

profeta e poeta;

político e artista;

ético e estético;

bom e belo;

decente e bonito.

Enfim, ao fim das contas, um ser que encanta é tudo isso, e tudo isso, no fundo, é a mesma coisa...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Dificuldades do processo ensino-aprendizagem: o abismo entre a teoria e a prática

Presenciei hoje à tarde um exemplo de como necessitamos rever nossas práticas de ensino.
Estávamos na Escola Estadual Luiz Duarte, onde leciono Filosofia e Sociologia, quando abriu-se um intervalo para a eleição por aclamação de cinco representantes do corpo discente - todos eles do sexo masculino - para o Conselho Escolar.
Pedi um aparte para fazer uma observação sociológica a esse respeito, que me foi concedida e posteriormente interrompida de maneira brusca pela professora que conduzia o processo. Eu só consegui dizer a todos que observassem a massacrante ausência das alunas entre os candidatos. Imediatamente sofri uma nervosa interferência afirmando que elas sabiam mas não se interessaram por participar do processo. O problema é que essa intervenção fez parecer que eu estava culpando a professora pessoalmente, por esse problema.
Tudo o que eu queria era que os alunos aplicassem alguns conceitos a partir da análise de sua própria realidade: aquele momento reproduzia o modelo patriarcal que destina a mulher ao segundo plano no processo político, por "n" motivos.
Além disso, o fato de só poderem se inscrever alunos maiores de 18 anos, conforme regimento estabelecido pela Secretaria de Educação do Estado, lembra a democracia ateniense, da qual só podiam participar homens adultos e nascidos em Atenas. Ou seja, mulheres, crianças e estrangeiros não eram cidadãos.
Outra coisa interessante de se notar: as pessoas enchem a boca para pronunciar o nome do educador Paulo Freire, mas parecem desconhecer a sua proposta pedagógica, preferindo valorizar elementos que mais reproduzem a lógica de dominação do que aqueles que pretendem construir uma educação libertadora.
Eu apenas quis cumprir meu papel de educador, oferecendo um exercício prático de crítica social, mas, para variar, acabei não passando de um chato.
A propósito, já que na mentalidade vigente se valoriza mais as (digamos) disciplinas "práticas" do que as que exigem reflexão, eu lanço a seguinte pergunta, bem simples, mas que sempre me deixou curioso: você já usou alguma vez uma raiz quadrada, além da sala de aula?

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Aos opressores em miniatura

Está bem, meu amo!
O senhor manda e eu obedeço.
Eu também concordo que não devo mais dar chute em cachorro morto...

domingo, 1 de julho de 2007

Aniversário

O Real completou hoje 13 aninhos de existência.
Temos de cantar parabéns?

Café

O que seria do Brasil sem o café?
E dos barões? E dos paulistas? E dos filósofos dos botecos de Paris?
Isso sem falar nos fumantes, nos neuróticos (como eu, que já fui a sessões do N.A.), e nas vigílias que se arrastam noite afora...

Foi com Ariano Suassuna que eu descobri, já passado dos vinte anos, que eu tomava café por falta de personalidade: nunca consegui tomar café quente sem queimar o bico, por isso só tomava morno. E como dizem que café bom só presta quente... Resolvi, depois de velho, tomar vergonha, em vez de tentar tomar café para me enquadrar socialmente!

Ah, o café... Esse ouro negro que espalha seu aroma na quentura do vapor que exala sublime...
Esse líquido calórico que em seu bojo traz a força; traz o sangue e o suor do povo mouro, massacrado nas colheitas sob o sol do passado, impedidos de provar o gosto daquilo que eles mesmos produziam...

Mas café bom mesmo era o que Dona Zefa de Seu Ozano, vizinhos de onde eu morava, na Vila Nova, faziam semanalmente em seu quintal. Minha mãe conta que quando eu estava aprendendo a falar, eu ficava chamando o Seu Ozano para vir tomar café conosco: "Zã-nô! Fééé...".

O processo de preparo era mais ou menos o seguinte: primeiro o açúcar ia sendo derretido numa grande panela de barro, de uns sessenta centimetros de diâmetro, num forno à lenha, enquanto se espalhava cinzas sobre uma velha mesa de madeira.
Depois os grãos esverdeados eram lançados no melaço produzido pelo açúcar derretido, ainda na panela ao fogo, e bem mexidos com uma colher de pau.
Após determinado tempo, não lembro bem ao certo quanto, a panela de barro era tomada com cuidado, e seu conteúdo distribuído uniformemente pela superfície coberta de cinzas, onde resfriaria até se cristalizar.
Durante a espera, todo mundo batia papo, conversava, contava anedotas, se abria largamente em risos, e debulhava grãos de trigo assado na brasa que esquentava a panela de melaço. Era uma festa!
Passado, pois, o período necessário, aquela fria tábua granulada e escura em que se transformara a quente mistura de café e açúcar começava a ser quebrada e colocada no pilão, onde seria pisada. Aí era onde entrava a força dos braços de Dona Zefa, para cima e para baixo, dando aquelas pancadas surdas que desintegrava o cristal enegrecido.
O pó, recolhido, era moído para ficar ainda mais fino. As primeiras colheradas iam direto para o bule, em água fervente, com mais algumas colheradas de açucar, e, depois, para nossas canecas, filtrado pelo pano de coar dentro, saindo puro, esfumaçante...

Mais tarde, bem mais tarde, quando entrei na faculdade, caiu-me nas mãos um livrinho de Leonardo Boff intitulado Minima Sacramentalia - Os sacramentos da vida e a vida dos sacramentos, que me ajudou a compreender que, quando tomávamos aquele café (independentemente de queimar os lábios ou não), não era apenas uma bebida quente e escura de sabor peculiar da cultura brasileira, mas bebíamos e nos embriagávamos daqueles momentos vividos em plenitude.

Era, na verdade, todo o processo social, o trabalho duro, as histórias, as lendas, os sorrisos, as lágrimas, as conversas fora, as cantigas cantadas em conjunto, tudo! Tudo aquilo conseguia ser vivido e contido simbolicamente numa velha caneca de café, e eu rendo graças pelo sabor único daquela alegre convivência da qual tomei parte na infância...

"Entre, chegue, se assente! Vamos tomar um cafezinho..."

Meia-meia-meia (nenhuma referência à Besta-Fera)

A meia
Ameia
Amei-a

Amei
Assei
Ameacei

Amei-o
Asseio
Ameaceio

Ameacei-a
Amei
A ceia

Assei
Amei
A meia

Às seis
Ao mês
Armei

A meia.

Repercussão da carta

Olha a carta!
A coisa repercutiu até em jornais de grande circulação de Alagoas.
Vejamos o que saiu no O Jornal:

BRIGA
Em Palmeira dos Índios, não chamem os professores Wagner Marcelo e Cosme Rogério para a mesma festa. Wagner é o atual secretário municipal de Cultura e Cosme, o ex. Os dois andaram brigando por cartas e fazendo a festa da oposição. O tom dos textos tem mais rancor pessoal que político. A confusão ainda vai dar o que falar.

Fonte: ENTRELINHAS. Briga. O Jornal, Maceió, 1.º jul. 2007. p. A15.