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domingo, 26 de agosto de 2007

Mais uma canção fúnebre

"Eu sei", interpretado pelo grupo Papas na Língua, é música para se cantar ao pé da cova da amada. Ou na missa de sétimo dia em memória dela, talvez...

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O rei do gado

Olhem essas manchetes que foram publicadas na página eletrônica do jornal Folha de São Paulo:


"Filho de Renan comprou rádio após doação do pai senador"

"Renan se reúne com advogados antes de depor a relatores"

"Fazendas de Renan têm contabilidade fictícia, afirma PF"

"'Estou absolutamente tranqüilo', diz Renan antes de depor"

"Renan admite 'incongruências', mas não quebra de decoro"


Não perca as cenas dos próximos capítulos da novela "O Rei(nan) do Gado".


Fonte das informações: Folha On line ( http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u322649.shtml) Última atualização: 24 de agosto de 2007, às 4h44min)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Duelo de titãs em plagas palmeiríndias

No largo da Praça Monsenhor Macedo, no centro de Palmeira dos Índios, um confronto de divindades como nunca se viu vai tomando forma consistente e adquirindo a condição de perpétua. Um duelo titânico, digno de se incluir nos anais alegóricos palmeirenses, caso estes existissem.
Trata-se de uma epopéia, de uma nova Ilíada – como bem diria o cordelista interesseiro de O Pagador de Promessas – congelada no tempo e no espaço, só que, desta vez, Tróia é a cultura de Palmeira dos Índios, e o cavalo de Tróia são interesses financeiros.
A primeira chegou faz tempo, embora não fosse a primeira que aqui chegou realmente (se é que você me entende). À sua presença, as outras divindades que existiam curvaram-se penitencialmente, sucumbiram ou resistiram abafadas. E assim, por mais de dois séculos, assumindo formas cada vez mais belas e grandiosas, ela esteve sempre a dominar a paisagem ao sopé das serras que compõem o maciço da Borborema, portal para o sertão das Alagoas.
Agora, contudo, a majestosa Catedral de Nossa Senhora do Amparo se obriga, em silêncio, a encarar um novo gigante que se ergue por sobre as ruínas do Montepio dos Artistas, outro relicário da memória da Princesa do Sertão, que remontava sua fundação ao ano 1919, e que morreu de abandono e desabado.
O gigante em ereção é uma obra com fins comerciais: aluguel de apartamentos, de olho em uma clientela que cada vez mais cresce na cidade, ligada ao setor da educação para o mercado.
Frente a frente, por um bom tempo, estarão a solidez da tradição cristã católica, a história e a cultura, de um lado. Do outro, a liquidez do tempo e do espaço, a rotatividade e o lucro.
A Catedral gozará da vantagem de se manter mais elevada que o outro edifício em construção, por estar incrustada na parte mais alta da ladeira onde ambos se encaram, parecendo que ela manifestará sua força com as armas da imponência e da elegância.
Já ele vem embrutecendo as feições com ares quem se apetece, nem tão ferozmente, mas com fome saturnina, desejando devorar a adversária. Pelo menos ele parece já tê-la comido, numa visão que se obtém de lá da Praça das Casuarinas.Assim parece que eles irão permanecer: num conflito apaixonado, imortalizado numa disputa fria, dolorida, silente, por dias e noites, na chuva e no estio. Palmeira dos Índios ganhará um novo símbolo e uma nova metáfora. Não do novo que revigora o antigo, mas do feio que fica à frente do belo, ocultando-o de nossas vistas – tão carentes de coisas bonitas, e tão exaustas de tantos conflitos...
(Texto escrito em 23 de agosto de 2007 (“são oito dias para o fim do mês”), sendo finalizado às 9 horas e 25 minutos da manhã, enquanto o autor contemplava pela janela da Casa Paroquial da Catedral de Palmeira dos Índios o cenário que descreve, ouvindo o som das marteladas em madeira, no edifício em construção.)

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

A culpa é sempre nossa

O governador Téo Vilela (PSDB) fez há alguns instantes um importante pronunciamento oficial ante à crise que envolve os serviços de saúde, precarizado, segundo ele, pela greve e pelas demissões em massa dos médicos que atendem à população alagoana.
Mais uma vez, "o governo que elegeu a transparência econômica como marca" sugere que os grandes culpados pela crise financeira são - sempre nós - os próprios funcionários públicos e, mais diretamente, os seus sindicatos, que agiriam segundo "interesses políticos, que passam longe dos interesses da população pobre. Ou seja, além de uma clara tentativa do governo de se atingir os trabalhadores em sua forma legítima e autônoma de organização, jogando a população carente de Alagoas contra os trabalhadores.
Ignoro o conceito que Téo Vilela tem de política. Mas fica demonstrado também que ele pelo menos ignora o conceito de luta pelo bem comum das pessoas. Aliás, acho o governo um completo ignorante tanto do ponto de vista político quanto do técnico.
Reitero o convite feito ao governador do Estado de Alagoas, em 28 de fevereiro deste ano, para comparecer a uma de minhas aulas, na Escola Estadual Luiz Duarte. Estarei esperando para debatermos com nossos estudantes "sem teto" alguns temas interessantes, como cidadania e eficiência pública.

Entre o legal e o imoral

Essa notícia merece reprodução.


Acompanhemos a Comédia Brasileira da Justiça:




Juíza que despachou na calçada corre o risco de ser demitida
Mônica Labuto queria trabalhar até mais tarde e transformou calçada em gabinete.Irritado com a atitude da magistrada, TJ-RJ pediu afastamento


A juíza Mônica Labuto, que decidiu trabalhar no meio da rua, em um gabinete improvisado na calçada, depois que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) negou um pedido para que o Fórum de Madureira ficasse aberto após as 21h, pode ser punida pelos desembargadores do TJ por sua atitude. O órgão especial pode decidir pelo afastamento ou até mesmo a demissão da juíza da Vara de Infância e da Juventude.




A magistrada pediu a ampliação do horário porque queria acompanhar o trabalho da Vara da Infância e da Adolescência em uma blitz em casas noturnas da região. No entanto, ao saber que este havia sido negado por causa da falta de segurança no prédio, resolveu transformar, na última sexta-feira (10), a calçada em gabinete. E realizou os despachos ali mesmo, no meio da rua. A atitude da juíza irritou a direção do Tribunal de Justiça, que entrou com uma representação contra ela no órgão especial, com pedido de afastamento. Mônica aguarda, agora, a decisão de 25 desembargadores, que deve sair em 20 dias. Eles irão avaliar se a juíza merece receber algum tipo de punição, seja ela uma advertência, o afastamento ou até mesmo a demissão da Vara de Infância e da Juventude. Enquanto isso, a juíza trabalha no fórum normalmente. Se for decidido pelo seu afastamento, ela pode ficar até dois anos em casa, sem trabalhar, porém recebendo o salário, já que a decisão ainda caberia recurso. “Ela desobedeceu uma ordem de superior hierárquico no campo administrativo. O que ela fez foi expor o poder a vexame, porque não é possível que uma juíza de direito vá para a rua numa mesa emprestada ou de quem quer que seja fazer um proselitismo totalmente fora de propósito”, disse o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador José Carlos Murta Ribeiro. A representação é baseada num artigo do Conselho Nacional de Justiça que prevê punições para o juiz que agir de forma incompatível com a dignidade, a honra e o decoro de suas funções.

O vice-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Cláudio Dell'orto, no entanto, acredita que a juíza não fez qualquer provocação ao tribunal. "Não me parece que gerou-se para a Justiça de um modo geral um constrangimento. Havia uma necessidade, como ainda há, de se aparelhar melhor a Justiça da Infância e da Juventude não só no Rio, como no Brasil todo", afirma.

Para Dell'orto, a atitude da juíza é apenas um "ato simbólico", que mostra que "os tribunais e toda a administração da Justiça devem estar mais próximos do cidadão". Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, este é um caso inédito. "Espero que a Justiça seja aplicada, até porque o que se diz é que a juíza quer trabalhar", disse Britto.




Fonte: G1, com informações do Jornal da Globo (http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL88165-5606,00.html), atualizado em 15 de agosto de 2007.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Para Mariane

Apesar de tudo, você terá muita sorte. É evidente que o mundo ainda precisa se dedicar mais à conquista da paz. De uma trégua, pelo menos...
Mas eu quero acreditar que as esperanças se renovam com a chegada de uma nova vida, que é sempre bem vinda.
Então vem, pequenina! Vem sonhar conosco o sonho de outro mundo possível. Seja bem vinda, e que venha em paz, Mariane - singelo fruto que há de brotar do amor de seus pais: meus amigos Márcio e Cristiane.

domingo, 5 de agosto de 2007

Loucura racional

Essa foi mais uma que eu ouvi do Cido - o "maluco" amigo meu lá da Ribeira:

"Eu sou louco, mas raciocino.
Fico olhando os rostos das pessoas e, pelas suas feições, tento apreender seus objetivos.
Tiro uma fotocópia mental que fica tal e qual uma xerox.
Há horas em que o sujeito é tão prego que acaba virando grampo!"

Profundo...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

De chofre

Teodoro contemplava o açude, extasiado. Não fazia nem dez segundos que ouvira de Angélica um "Eu te amo", vindo assim, do meio do nada. Sentiu o peito gelar ardentemente, reboando o som daquelas palavras cabalísticas oriundas de voz tão serena...
"Eu te amo", "Eu te amo", "Eu te amo"... - repetiam-lhe na memória os movimentos daquele comboio de corda que Fernando Pessoa chamava coração.
À timida e corajosa moça, Teodoro respondeu com um beijo nos lábios aquecidos, enquanto a chuva engrossava naquela noite fria de Palmeira dos Índios...
"Dias de chuva são véspera de tempo bom."
BETO GUEDES

O político e o técnico

O governador Téo Vilela é um técnico. Renan Calheiros, presidente do Senado Federal e grande amigo de Téo, na atualidade dos escândalos nacionais, diz preferir um “julgamento técnico” a ter de se submeter a um “julgamento político” na apuração das denúncias de corrupção que envolvem o seu nome. Como se vê, hoje se valoriza mais a “técnica” do que a “política”. Se assim for, estamos fritos!
Renan já nos forneceu subsídios para a compreensão das causas da corrupção no Brasil. Num artigo intitulado A ética necessária, publicado pela Editora do Senado numa coletânea em 2002, Renan nos lembra que “é a impunidade que anaboliza a corrupção, a convicção que todos têm de que não haverá punição”. Assim, ele nos explica como se deixou levar na onda da boiada, elevando seus ganhos a níveis estratosféricos, bem acima da média nacional do setor, mesmo produzindo numa área isolada pelo risco da febre Aftosa. Além de técnico, Renan é mágico!
Sugiro que Téo Vilela nomeie Renan Calheiros para cuidar das finanças e do equilíbrio fiscal do Estado. Já pensou? Ora, se Alagoas está quebrada, como afirma a tecnocrata equipe econômica do governo, então chamem Renan, o mago! Ele deverá saber como se resolve o problema, aplicando seu talento pessoal (privado) ao zelo com a coisa pública. Como seria lindo se os “técnicos” do Brasil se recusassem a agregar recursos públicos ao seu patrimônio privado!
O que mais me chateia nessa crise governamental, além de estressar as relações entre o Estado e a sociedade é a repetitiva dicotomia proposta entre aquilo que seria “técnico” e aquilo que seria “político”. O governo Téo Vilela re-significou essas palavras: o termo “técnico” é sempre utilizado para justificar posicionamentos canhestros que prejudicam principalmente a classe trabalhadora; já o termo “político” vem associado a situações de cobrança dos direitos legítimos, por parte da população. Por exemplo, se o Estado de Alagoas gasta mais do que arrecada, e por isso não pode garantir as esmolas habituais aos “pobres sertanejos”, como sugere a atual e escandalosa propaganda do governo, temos um dado “técnico”. Contudo, se o povo se organiza para cobrar do governo as promessas de campanha e a garantia de seus direitos, tem-se então um problema de cunho “político”. Às vezes, como também afirmam, de caráter “ideológico”. Da frigideira, fomos direto para o fogo!
Na Antiguidade Clássica, o filósofo grego Aristóteles concebeu o ser humano como um zoon politikon, ou seja, um agente em sua condição pública, um ser político, caracterizado pelo relacionamento com os outros na esfera pública. Ao pé da letra: o homem é um animal político. Tal condição exige a construção de virtudes éticas e administrativas, sendo capaz de se tornar a finalidade da técnica, se esta for entendida como um conjunto de procedimentos que visa obter determinado resultado em qualquer atividade, até mesmo política.
A equipe do governo Téo Vilela precisa urgentemente reaver esses conceitos e entender que precisa sim da técnica, mas somente na condição de colocá-la a serviço da vida política, em busca do bem comum, e não como justificativa para os problemas que se aprofundam a cada dia, prejudicando ainda mais a situação do Estado.
Uma última curiosidade etimológica: a palavra “técnica” também se origina do grego (techné), que significava “arte”. Como diria minha avó, do alto de sua sabedoria, “em Alagoas tem muito artista”...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Luz


A palavra luz tem sua origem no latim: "lux". Lucélia, Luciano, Lucíola são exemplos de nomes que têm sua raiz etimológica relacionada à luz.

Minha avó materna, Maria Vicência, era muito devota de Santa Luzia (ou Santa Lúcia, outro nome que tem a ver com luz), festejada todos os anos no dia 13 de dezembro. Segundo a tradição católica, Santa Luzia foi uma virgem martirizada por decapitação por ordens do imperador romano Deocleciano, no ano 304 d.C., por decidir pela fé e pela moral cristãs aos costumes pagãos de seu prometido noivo. Uma lenda diz que teve os olhos arrancados por ele. Sua imagem mostra-a carregando uma palma (símbolo do martírio) numa das mãos, e, na outra, um prato com seus olhos, que teria sido ofertado por Nossa Senhora. Por isso, além de ser invocada por pessoas que se sentem contrariadas, ela também é considerada a protetora das pessoas portadoras de problemas visuais.

Segundo a Bíblia - fonte de fé da tradição judaico-cristã -, "no princípio Deus criou o céu e a terra. A terra achava-se vazia, as trevas cobriam o abismo e o vento de Deus girava sobre as águas. Então Deus disse: 'Faça-se a luz!', e a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, apartou-a das trevas, chamou à luz dia e às trevas noite. Houve uma tarde e uma manhã: foi o primeiro dia."

No Século I a.C., o filósofo grego Lucrécio, continuando as idéias dos primeiros atomistas, concebeu que a luz solar e o calor eram compostos de pequenas partículas.

Em 1672, o físico Sir Isaac Newton defendeu uma teoria na qual considerava a luz como um feixe de partículas que eram emitidas por uma fonte, e que estas atingiam o olho, e assim estimulavam a visão.

No Século XIX, James Clerk Maxwell provou que a velocidade de propagação de uma onda eletromagnética no espaço, equivalia à velocidade de propagação da luz de aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo. Foi dele a afirmação de que a luz é uma "modalidade de energia radiante" que se "propaga" através de ondas eletromagnéticas.

Albert Einstein, usando a idéia de Max Planck, conseguiu demonstrar que um feixe de luz são pequenos pacotes de energia, chamados fótons. A confirmação da descoberta de Einstein se deu no ano de 1911, quando Arthur Compton demonstrou que "quando um fóton colide com um elétron, ambos comportam-se como corpos materiais". Eis porque se afirma que a luz se comporta ora como partícula, ora como onda.

A luz foi sempre um dos principais elementos inspiradores de cantores, poetas, e sempre esteve relacionada ao encantamento, à vida (o ato de dar à luz é um exemplo), à fé, à ciência - ao conhecimento de um modo geral.

Vinícius de Moraes, para mim, foi o poeta que mais encantadoramente falou em luz, quando compôs Pela luz dos olhos teus:



"Quando a luz dos olhos meus

e a luz dos olhos teus

resolvem se encontrar

Ai, que bom que isso é, meu Deus!

Que frio que me dá

o encontro desse olhar.

Mas se a luz dos olhos teus

resiste aos olhos meus

Só pra me provocar

Meu amor, juro por Deus

Me sinto incendiar...

Meu amor, juro por Deus

que a luz dos olhos meus

já não pode esperar.

Quero a luz dos olhos meus

na luz dos olhos teus

sem mais lará-lará...

Pela luz dos olhos teus

eu acho, meu amor,

que só se pode achar

que a luz dos olhos meus

precisa se casar..."



É em homenagem à luz que hoje escrevo tudo isso, em pleno Século XXI, inspirado numa antiga árvore da Praça do Rosário, que tombou sobre dois automóveis estacionados na ladeira, e sobre a fiação que une dois postes de iluminação pública, o que deixou metade da cidade, em sua parte mais antiga sem fornecimento de energia elétrica durante boa parte da noite.

Em Palmeira dos Índios não pode chover. Se isso acontece, falta energia elétrica. Por quê? Porque a companhia precisa desligar a rede para ativar o sistema de proteção contra raios. Aqui as coisas ainda não são automáticas.

Eta, sistemazinho dos tempos do candeeiro...