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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Não temais o papel de profetas!

"A Besta é o que somos, quando a vida vale um frete" (Luciano José).


Isso nunca havia acontecido comigo. Em pouco mais de 24 horas, meu blog teve mais de mil e quinhentos acessos. Tudo por causa de um relato sobre o que vivi no domingo passado, que acabou se constituindo num caso que pode ser chamado de "situação-limite" – um daqueles momentos em que as suas convicções mais enraizadas são postas à prova. O que fazer nessa hora? Geralmente, não há mais de duas escolhas: você pode fazer vista grossa, ou denunciar o que lhe indigna. Optar pela primeira precisa de uma boa dose de covardia. Ora, não foi assim que ninguém me ensinou! Apesar de não me filiar a nenhum credo religioso, minha formação ética é essencialmente cristã. De meus ancestrais, recebi a lição de que eu deveria procurar ser na vida poeta e profeta: que eu deveria gostar de música, de flores, de bichos, das pessoas, mas que também precisaria ter a coragem necessária para denunciar a corrupção da humanidade. Então, naquele momento em que testemunhei, como tantas outras pessoas que ali estavam, o ato covarde de mãe e filha, respectivamente motorista e cobradora de um veículo que transporta passageiros no trecho Palmeira dos Índios – Arapiraca, que agrediram uma passageira com perturbações mentais e depois vieram intimidar minha esposa e a mim por termos filmado o depoimento da agredida, não tive outra atitude a não ser me indignar contra tudo aquilo.

Diversas pessoas entraram em contato comigo depois do acontecido, expressando a sua indignação, mas houve também quem dissesse que eu estava caluniando. Por que eu inventaria que vi uma mulher ser agredida por outras duas? Mereci até uma lição de jornalismo, já que fui alertado para o fato de meu vídeo não dizer muita coisa, apenas o relato de uma pessoa mentalmente perturbada. Infelizmente, ele não serve de prova de que a mulher foi realmente agredida pela agressora. Mas o fato aconteceu, é verdadeiro, e eu escrevi sobre ele. Defenderei o que vivenciei em qualquer lugar do mundo. Jamais escreveria sobre um fato sobre o qual eu não tivesse certeza. Por isso mesmo, até escrevo pouco. Lamentarei profundamente, pelo resto da minha vida, não ter feito a imagem da covardia acontecendo... Mas eu faria tudo de novo, e tenho plena certeza de que vocês fariam a mesma coisa, se ali estivessem!

Agradeço a cada pessoa que se manifestou, que deu crédito às minhas palavras, que compreende o que sofrem os passageiros do transporte público alternativo no Estado de Alagoas, principalmente os que transitam entre Palmeira dos Índios – Arapiraca. Graças à indignação de todos vocês, o problema do desrespeito para com os que necessitam desse serviço ganhou evidência.

Para terminar, dedico aos que não perderam a compaixão neste mundo onde a violência se banalizou, o pedaço de uma canção do padre Zezinho, que nos recorda o seguinte:

Não temais os que gritam nas praças
Que está tudo perfeito e correto
Não temais os que afirmam de graça
Que vós nada trazeis de concreto
Não temais o papel de profetas
Que o papel do profeta é falar
Tende medo somente do medo
De quem acha melhor não cantar

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