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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Graciliano Ramos na FEBRACE 2013

Pela segunda vez consecutiva a Escola Estadual Graciliano Ramos (EEGR), de Palmeira dos Índios, apresenta finalistas para a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia – FEBRACE, cuja 11.ª edição será realizada entre os dias 12 e 14 de março de 2013, na Universidade de São Paulo (USP). Desta vez, as estudantes Daniela Gomes Lisbôa da Silva, Quezia Georjiany Beltrão Araújo e Renicarla Silva dos Santos, apresentarão o projeto de pesquisa científica intitulado "Os lugares da memória de Palmeira dos Índios: um estudo histórico-imagético orientado pela leitura das cartas de Graciliano Ramos".


Segundo os comitês de pré-avaliação e seleção do evento, o trabalho é "interessante, envolvendo leitura, pesquisa, reflexão que pode contribuir também para que os turistas e outros moradores e pesquisadores conheçam mais sobre a história da cidade". Os avaliadores acrescentaram que "O projeto apresenta consistência (metodologia e referencial teórico) e elevada importância social".


Sob a orientação dos professores Cosme Rogério Ferreira e Pollyane Lafaiete, as participantes terão a oportunidade de apresentar o projeto durante a Mostra de Finalistas da FEBRACE, junto aos melhores trabalhos submetidos por estudantes ou selecionados de mais de 50 mostras científicas de várias regiões do Brasil, concorrendo a diversos prêmios, além de poder, inclusive, representar o Brasil na International Science & Engineering Fair 2012 (Intel ISEF), em Pittsburgh, Pensilvania, nos EUA. Além das premiações, as finalistas terão a oportunidade de participar de diversas atividades, incluindo palestras, oficinas e visitas monitoradas a laboratórios, institutos e museus da USP.

 

Resumo do trabalho

 

O presente trabalho resulta de um esforço de compreensão das relações entre a literatura e a fotografia na composição do conhecimento histórico. Continuação de um projeto anterior, no qual nos debruçamos sobre a obra Caetés, de Graciliano Ramos, nosso objetivo, desta vez, foi analisar as imagens fotográficas, por nós produzidas, de alguns lugares evocados nas cartas do consagrado escritor, especialmente as que se referem à cidade de Palmeira dos Índios (AL), onde vivemos. Baseados nessa obra, e utilizando-nos de uma combinação de diferentes métodos e técnicas de pesquisa (bibliográfica, documental, de campo), mapeamos os lugares identificados na leitura, levantamos os dados históricos sobre eles, e desenvolvemos uma análise do material imagético produzido nos referidos locais. Como resultado, evidenciamos alguns dos pontos que ajudam a reconstruir a memória palmeirense, fato que pode auxiliar o exercício de reflexão sobre as lógicas de pertencimento e os permanentes processos de construção identitária em nossa cidade.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Proteção para o fim do mundo

Já bati esse papo.


No entanto, por ser tão especial a ocasião (e como não se fala em outra coisa ultimamente), considero que vale a pena retornar ao assunto, às vésperas que estamos da alardeada data que um dos dois calendários do povo Maia estabelece como o fim do mundo.


"Como eles deram o nome de mundo, houve essa confusão. Mas é preciso entender a concepção de mundo de cada civilização", explica Alberto Frederico Beuttenmuller, autor do livro "2012 - A Profecia Maia", para o qual tudo não passa de uma interpretação equivocada a respeito da tradição desse povo que habitou o México e a América Central desde a Antiguidade.


Calendário Maia à parte, de quando em quando, surge entre os seres humanos um receio diante da possibilidade de o mundo acabar. Parece que isso persegue o ser humano dede tempos imemoriais! Imagino sempre o que devem ter pensado os moradores da cidade romana de Pompeia durante a erupção do Vesúvio em 79 d.C., ou os penitentes seguidores de Antônio Conselheiro, em luta contra as forças da República (a própria besta-fera, para eles) na inglória Guerra de Canudos.


Naturalmente, como se observa ao longo das eras geológicas, o fim e recomeço do mundo é um fenômeno constante, e acontece na medida em que a sua construção avança. Nós, humanos, temos tomado parte nesse processo, mais potencializando a nossa autodestruição do que revertendo o referido, como têm nos demonstrado, entre outras coisas, a ameaça do material bélico nuclear e as drásticas alterações ambientais.


Por ter vivido numa comunidade em que as prédicas do padre Cícero eram levadas muito a sério, lá eu ouvia os romeiros anunciarem em seus benditos a despedida deste mundo, cantando mais ou menos assim: "Adeus, e até mil e tanto, que de dois mil não passará". Entretanto, a não ser quem tenha morrido antes, todo mundo passou do ano 2000, virou o século 21, e, a duras penas (especialmente em Alagoas), chegou a 2012 – ano atualmente eleito especialmente pela massa fanática como sendo o ponto final de nossa história.


Mas eu tenho a fé de que ainda não é desta vez que o mundo acaba. O que sustenta a minha crença é um fato ocorrido no interior de Alagoas, no final do século 19, época em que a paranoia coletiva se espalhou pelo Brasil.


Quando contava cerca de sete anos de idade e morava em Viçosa, Graciliano Ramos foi testemunha da crença popular que amedrontava os sertanejos às vésperas de 1901. Eis como o episódio insólito foi recordado pelo autor em "Infância", um de seus livros de memórias: "Na passagem do século um cometa brabo percorreria o céu e extinguiria a criação: homens, bichos, plantas. Riachos e açudes se converteriam em fumaça, as pedras derreteriam. Antigamente a cólera de Deus exterminara a vida com água; determinava agora suprimi-la a fogo".


Saboroso folclore que até hoje, em plena era cibernética, permeia a imaginação popular, esse medo do fim do mundo deixou tão assustada a população de Palmeira dos Índios que, em 1899, o Vigário Maia, então pároco da cidade, tomou a iniciativa de ordenar a colocação de cruzeiros em todas as montanhas que circulam a região: Serra da Palmeira (hoje Alto do Cruzeiro), Serra do Candará, Serra de Olho d'Água do Acioli (hoje Igaci), entre outras. Ainda existem alguns cruzeiros originais, encontráveis pelo menos nas Serras do Goiti e da Mandioca.


A ideia do Vigário Maia deu certo, pois, como é óbvio, o mundo não acabou. Justamente porque esses lugares da memória palmeirense ainda estão lá, eretos, a zelar pela cidade, é que eu creio que o mundo não acabará tão cedo! Só que, do jeito que as coisas vão sendo tratadas pela sociedade e pelo Poder Público, tomara que Palmeira dos Índios não se acabe antes do mundo...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A atitude filosófica


A filosofia é um jeito de se fazer perguntas. Mas não quaisquer perguntas.


Todos nós lidamos com questões cotidianas, práticas, corriqueiras, que não nos exigem profunda reflexão. Por exemplo: que horas são? Feita a um interlocutor que porte um relógio e conte a verdade, é bem provável que a pergunta receba uma resposta que oriente o perguntador no tempo. No entanto, o que é o tempo? Não é de fácil resposta, pois essa é uma pergunta que desafia a nossa crença cotidiana e pouco refletida de que o tempo existe e pode ser medido. É diante desse tipo de problema que surge a atitude filosófica.


Tal atitude, que nasce quando aquilo que considerávamos como objeto de crença passa a nos aparecer como algo contraditório, guarda duas características fundamentais. A primeira é sua face negativa: filosofar é dizer não à superficialidade das coisas, aos preconceitos e verdades preestabelecidas e inquestionáveis, àquilo que "todo mundo diz, faz e pensa". A segunda face é positiva: filosofar é perguntar qual a essência das coisas, das ideias, dos comportamentos, dos valores, de nós mesmos. Em síntese, filosofar é se perguntar: se as coisas não são como parecem ser, o que as coisas realmente são? Qual o porquê e o como disso tudo e de nós próprios?


Ambas as faces, negativa e positiva, constituem a atitude crítica da filosofia. E quando falamos em crítica, não estamos nos referindo a como o senso comum entende essa palavra. Criticar não é falar mal! Criticar não é xingar! Criticar é examinar criteriosamente, é refletir os momentos de crise (portanto, momentos críticos), que são aqueles momentos que nos interrogam, que exigem respostas lógicas, uma vez que as crenças do cotidiano já não satisfazem o humano desejo de conhecer.


Para o antigo sábio grego Sócrates, esse desejo surge quando somos capazes de admitir, diante das crenças do cotidiano: "de tudo o quanto sei, eu só sei que nada sei". Platão, discípulo de Sócrates, ensinou que a filosofia começa com a admiração. Para o discípulo de Platão, Aristóteles, a filosofia começa com o espanto. Isso significa que a atitude filosófica surge quando reconhecemos a nossa própria ignorância, a nossa limitação no conhecimento e, por isso mesmo, somos capazes de superá-la.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A origem e o significado da palavra "filosofia"


A tradição filosófica ocidental surgiu por volta do século VI a.C. nas colônias gregas da Jônia, na Ásia Menor, iniciada pelo matemático Tales de Mileto. No entanto, atribui-se a Pitágoras de Samos, outro autor de um famoso teorema, a invenção da palavra "filosofia".

Ao pé da letra, "filosofia" significa "amor à sabedoria". Mas não se trata aqui de qualquer amor. Em grego as palavras são diferentes, dependo do amor ao qual você esteja se referindo. Por exemplo, se estiver falando do amor entre homem e mulher, do amor para gerar filhos, do amor dito carnal, a palavra é "eros" (o mesmo nome do deus do amor da mitologia grega, chamado de "Cupido" pelos romanos, representado geralmente por um anjinho pelado que sai por aí flechando corações que se apaixonam). É dessa palavra que derivam, em português, o substantivo "erotismo" e o adjetivo "erótico".

Se você estiver querendo significar o amor incondicional, aquele que o Deus cristão sente pela humanidade, que uma mãe sente pelos seus filhos, aquele mesmo que faz alguém doar a própria vida pelo seu próximo, o amor se diz "ágape" (a propósito, na tradição cristã, o "ágape" vai ser associado ao amor profundo e verdadeiro, ao passo em que o "Eros" estará mais para uma tentação do Cão).

Agora, se você estiver falando do amor que aproxima as pessoas por afinidade, se estiver falando da amizade, amor é "philia", donde deriva a palavra "philo", que se une à palavra "sophia" (sabedoria) para construir o significado literal do vocábulo "filosofia". De acordo com Pitágoras, a plena sabedoria pertencia aos deuses, mas os homens poderiam amá-la e desejá-la, e, dessa forma, tornarem-se "filósofos", isto é, "amigos da sabedoria".

sábado, 17 de novembro de 2012

A Batalha das Toninhas

Dos conflitos bélicos dos quais o Brasil participou, poucos são os lembrados com glória. A cruel Guerra do Paraguai e a participação na Batalha de Monte Castelo, no final da Segunda Guerra Mundial, são os nossos feitos bélicos mais louvados.

 

O conflito com maior repercussão negativa foi a Campanha de Canudos, reconhecida internacionalmente na Primeira Convenção de Haia (1899) pelos crimes cometidos pelo exército brasileiro contra prisioneiros de guerra – mulheres e crianças incluídos –, executados sumariamente com a aplicação da degola (punição que era chamada de gravata vermelha), muitas vezes à vista dos generais.

 

A mais ridícula das batalhas brasileiras, no entanto, foi protagonizada na Primeira Grande Guerra, e não costuma ser ensinada nas escolas. O estopim para o país declarar guerra à Alemanha foi o torpedeamento, em 26 de outubro de 1917, de alguns de nossos navios mercantes. Mas a participação nossa só aconteceu nos instantes finais da bagaceira, na sangrenta Batalha das Toninhas.

 

Em novembro de 1918, sob as ordens do Almirantado da Inglaterra, os navios da Divisão Naval de Operações em Guerra seguiram para Gibraltar. O almirante Pedro Max Fernando Frontin havia sido informando de que o navio designado para acompanhar a flotilha brasileira, o HMS Britannia, havia sido afundado por um submarino alemão, o que pôs todos em alerta. Nesse episódio insólito, um cardume de toninhas, animais da espécie Phocoena phocoena, foi confundido pelo Cruzador Bahia com periscópios de submarinos alemães. Resultado da ação da marinha brasileira: dezenas de toninhas detonadas por engano!