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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Graciliano Ramos em "tweets"

Se tivesse vivido em nosso tempo, creio que o escritor Graciliano Ramos (1892-1953) teria se agradado do Twitter. Afirmo isso considerando que a proposta desse microblog (como outros) encerra uma qualidade privilegiada pelo ilustre alagoano: a secura exata, a escrita do necessário.


Por limitar as publicações de seus usuários em textos de 140 caracteres (os chamados "tweets"), essa rede social (uma das mais populares do mundo) exige a concisão nas informações colocadas, num exercício de "falar menos e dizer mais", bem de acordo com as características literárias do mestre Graça.


De acordo com o autor de Vidas secas, em sua célebre comparação entre a sua atividade de escritor e as lavadeiras de Alagoas no exercício do ofício, "a palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer".


Inspirado, pois, por essa assertiva, selecionei alguns excertos da obra graciliânica que dizem bastante e cabem num tweet, ou seja, em até 140 caracteres. O resultado vem abaixo.

 

 

Sobre a atividade literária:

 

"Talvez não fosse mau aprender um pouco de história para concluir o romance. Mas não posso aprender história sem estudar."

 

"O escritor está dentro de tudo que se passa, e se ele está assim, como poderia esquivar-se de influências?"

 

"Começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social."

 

"Mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda podemos nos mexer."

 

"As deformações e a miséria existem fora da arte e são cultivadas pelos que nos censuram."

 

"Eu só escrevo coisas alegres, mesmo quando estou triste. Coisas tristes, guardo-as para mim mesmo, para as gavetas e para as traças."

 

"Arte é sangue, é carne. Além disso não há nada. As nossas personagens são pedaços de nós mesmos".

 

 

Sobre suas convicções

 

"Ateu! Não é verdade. Tenho passado a vida a criar deuses que morrem logo, ídolos que depois derrubo – uma estrela no céu, algumas mulheres na terra..."

 

"Sempre é uma virtude conformar-se com a própria decadência e não ter inveja e ódio aos que sobem."

 

"Não ser selvagem! Que sou eu senão um selvagem, ligeiramente polido, com uma tênue camada de verniz por fora?"

 

"Quando cometo alguma tolice graúda, posso, como aquele varão de outra era, dizer contente: - 'Não perdi meu dia.'"

 

"E pergunto a mim mesmo: – Os outros homens, os que têm juízo, viverão satisfeitos ou sofrerão por não serem loucos?"

 

 

Os "tweets" de amor a Heloísa

 

"Conheces algum padre que me possa casar sem confissão? Não estou disposto a ajoelhar-me aos pés de ninguém."

 

"Mentira: estou disposto a ajoelhar-me aos teus pés, a adorar-te."

 

"Sou um animal muito complicado, meu amor. Por que vieste para mim? Foi a loucura que te trouxe."

 

"Amo-te com ternura, com saudade, com resignação e com ódio. Confesso-te honestamente o que sou."


"Se não te agradam sentimentos tão excessivos, mata-me."

 

"Mas não me mates logo: mata-me devagar, deitando veneno no que escreveres."

 

"Estou a atormentar-te, meu amor. Perdoa. Se não fosses como és, eu não gostaria de ti."

 

 

Sobre ser prefeito

 

"Para os cargos de administração municipal escolhem de preferência os imbecis e os gatunos."

 

"Eu, que não sou gatuno, que tenho uns parafusos de menos, mas não sou imbecil, não dou para o ofício e qualquer dia renuncio."

 

"Havia em Palmeira inúmeros prefeitos: os cobradores de impostos, o Comandante do Destacamento, os soldados, outros que desejassem administrar."

 

"Cada pedaço do Município tinha a sua administração particular, com Prefeitos Coronéis e Prefeitos Inspetores de quarteirões".

 

"Pensavam uns que tudo ia bem nas nãos de Nosso Senhor, que administra melhor do que todos nós; outros me davam 3 meses para levar um tiro."

 

"Constava a existência de um código municipal, coisa inatingível e obscura."

 

"Procurei, rabisquei, esquadrinhei, estive quase a recorrer ao espiritismo, convenci-me de que o código era uma espécie de lobisomem."

 

"Não favoreci ninguém. Devo ter cometido numerosos disparates. Todos os meus erros, porém, foram da inteligência, que é fraca."

 

 

Sobre Palmeira dos Índios

 

"Por aqui, uma chusma de calamidades: crise, revoltosos, bandos de criminosos pela vizinhança, praticando horrores, suicídios, assassinatos, o diabo."

 

"É raro o dia que não morre um homem assassinado. Não é exagero, palavra. Isto aqui está pior que o Ceará".

 

"Temos eletricidade. Imagina. Dois professores, cada um com quatro alunos. Um é maluco, outro pau-d'água, ambos analfabetos."

 

"De resto, nenhum pensamento, nenhuma ação, muito falar. Temos a idolatria da palavra, vazia embora. Nossa preocupação é falar bonito."

 

"Não me tenta a Palmeira. Mas acredito que com o sacrificar-me não sacrificarei grande coisa."

 

"Talvez em breve eu abrace toda essa gente e não levo nada do Rio – nem dinheiro, nem livros, nem roupa, nem o é! sim! nem o clássico uê!!!"

 

"Penso que o Natal é uma festa deliciosa. Os bazares, a delegacia de polícia, a procissão de Nossa Senhora do Amparo..."

 

 "Decididamente a Palmeira é uma grande terra. Só por causa das pinhas."

 

"Desculpa-me estar a injetar-te estas maluqueiras. Realmente pouco tem a dizer quem vive por estas brenhas."

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Por que o mundo não acabará em 2012?


De quando em quando, surge entre os seres humanos um receio diante da possibilidade de o mundo acabar. Naturalmente, como se observa ao longo das eras geológicas, o fim do mundo é um fenômeno constante, e acontece na medida em que a sua construção avança. Nós, humanos, temos tomado parte nesse processo, mais potencializando a nossa autodestruição do que revertendo o referido, como têm nos demonstrado, entre outras coisas, a ameaça do material bélico nuclear e as severas alterações ambientais.

Por ter vivido numa comunidade em que as prédicas do padre Cícero eram levadas muito a sério, lá eu ouvia os romeiros anunciarem em seus benditos a despedida deste mundo, cantando mais ou menos assim: "Adeus, e até mil e tanto, que de dois mil não passará". Entretanto, a não ser quem tenha morrido antes, todo mundo passou do ano 2000, virou o século 21, e, a duras penas (especialmente em Alagoas), chegou a 2012 – ano atualmente eleito pela massa como sendo o ponto final de nossa história.

Mas eu tenho a fé de que ainda não é desta vez que o mundo acaba. O que sustenta a minha crença é um fato ocorrido no interior de Alagoas, no final do século 19, época em que a paranoia coletiva se espalhou pelo Brasil.

Quando contava cerca de sete anos de idade e morava em Viçosa, Graciliano Ramos foi testemunha da crença popular que amedrontava os sertanejos às vésperas de 1901. Eis como o episódio insólito foi recordado pelo autor em "Infância", um de seus livros de memórias: "Na passagem do século um cometa brabo percorreria o céu e extinguiria a criação: homens, bichos, plantas. Riachos e açudes se converteriam em fumaça, as pedras derreteriam. Antigamente a cólera de Deus exterminara a vida com água; determinava agora suprimi-la a fogo".

Saboroso folclore que até hoje, em plena era cibernética, permeia a imaginação popular, esse medo do fim do mundo deixou tão assustada a população de Palmeira dos Índios que, em 1899, o Vigário Maia, então pároco da cidade, tomou a iniciativa de ordenar a colocação de cruzeiros em todas as montanhas que circulam a região: Serra da Palmeira (hoje Alto do Cruzeiro), Serra do Candará, Serra de Olho d'Água do Acioli (hoje Igaci), entre outras. Ainda existem alguns cruzeiros originais, encontráveis pelo menos nas Serras do Goiti e da Mandioca.

A ideia do Vigário Maia deu certo, pois, como é óbvio, o mundo não acabou. Justamente porque esses lugares da memória palmeirense ainda estão lá, eretos, a zelar pela cidade, é que eu creio que o mundo não acabará tão cedo. Só que, do jeito que as coisas vão sendo tratadas pela atual administração, tomara que Palmeira dos Índios não se acabe antes do mundo...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

GRITO ROCK ALAGOAS 2012


Conheça a programação do Grito Rock Alagoas 2012!

***

Grito Rock Maceió

COFFEESHOP
ASFIXIA
ALAÍDENEGÃO (AM)
ASTRODECK
OS NELSONS (BA)
STICKY GARDEN

Onde? Praça Marcílio Dias, Jaraguá
Quando? 10 de Fevereiro, 18h00
Quanto? GRÁTIS!

Leia mais aqui!

Grito Rock Arapiraca

TICK
ALMA BÉLICA
FOXY TRIO (PE)
A.S.U
OS NELSONS (BA)
MY MIDI VALENTINE

Onde? Lago da Perucaba
Quando? 11 de Fevereiro, 18h00
Quanto? GRÁTIS!

Leia mais aqui!

Grito Rock Palmeira dos Índios

ASFIXIA
IMPRENSA ANÔNIMA
ATAQUE CARDÍACO
FOXY TRIO (PE)
MORRA TENTANDO

Onde? Boate Aquarius
Quando? 12 de Fevereiro, 17h00
Quanto? R$5,00!

Leia mais aqui!

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Para saber mais e acompanhar novidades: www.popfuzz.com.br

©2012 Coletivo Popfuzz | Maceió, Alagoas

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