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quarta-feira, 28 de março de 2012

Viva Arapiraca!

Não quero falar do evento em si, que dura 4 dias e já tem uma competente equipe para divulgá-lo e falar melhor sobre ele. Disporei sobre um aspecto que justifica o entusiasmo evocado pela expressão que nomeia a festa.

Está certo que o evento gera uma grande expectativa local e alhures em torno das grandes atrações, oportuniza o (re) conhecimento de grupos artísticos locais, e oferece um conjunto de bens e serviços que movimentam a economia da cidade, sendo, hoje, apesar de jovem, uma tradição que não pode mais deixar de constar no calendário oficial do município. Mais certo ainda é que ele não ocorre fora de um contexto favorável, tornando-se verdadeiramente o símbolo e o clímax de um reconhecido trabalho administrativo que, apesar das dificuldades, tem dado resultados dignos de orgulho.

Recentemente, divulgou-se que a prefeitura de Arapiraca está no topo do ranking estadual entre as 10 mais eficientes no que diz respeito à gestão orçamentária, segundo o IFGF, índice criado pelo Sistema FIRJAN para avaliar a qualidade da gestão fiscal dos municípios brasileiros. Certa vez, perguntei ao prefeito Luciano Barbosa sobre o que ele aprendeu com um antigo administrador de sua cidade natal, Palmeira dos Índios, ninguém menos que Graciliano Ramos, modelo de gestão pública honesta, transparente e responsável. "Graciliano foi mais que o inspirador do zelo com o dinheiro público", disse-me ele. "Graciliano foi um militante em defesa de uma sociedade mais justa, mais humana, mais fraterna. A Lei de Responsabilidade Fiscal só veio coroar este processo para obrigar, ou enquadrar, os gestores na regra estabelecida por Graciliano de não gastar mais do que se arrecada, nem fazer favor pessoal com dinheiro público. Um exemplo que já devia ser seguido há algumas décadas". Felizmente, como indicam os índices, há quem siga os ensinamentos do mestre Graça em Arapiraca.

Está claro que nem tudo é maravilha na "metrópole do futuro". Como é característico nas grandes cidades latinoamericanas, Arapiraca sofre as consequências do crescimento urbano desordenado, gerador de múltiplas formas de exclusão. O cinza da industrialização causa ainda, apesar dos parques e equipamentos culturais e de lazer, um clima um tanto depressivo.  O trânsito precisa de muita, muita educação. A periferia é sempre carecida de atenção. Mas o maior dos problemas é mesmo a violência, terrível realidade de um estado herdeiro e preservador de uma cultura coronelístico-cangaceira, agravada ainda mais com a devastadora presença do crack.

No entanto, há claros sinais de esperança. A criação e a implementação de políticas públicas eficientes e eficazes, como as que vêm sendo colocadas em prática, aliadas ao espírito criativo e empreendedor dos arapiraquenses, serão a garantia de que, no futuro, teremos uma cidade com os seus mais sérios problemas minimizados.

O caminho já foi prefigurado, e deve ser seguido com zelo. A cidade tem o que celebrar.

Viva Arapiraca!

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