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sábado, 21 de abril de 2012

Alagoas: história e ficção

Por ocasião da visita do governador Téo Vilela na última quinta-feira (19), faixas colocadas em pontos diversos de Palmeira dos Índios geraram acerbos comentários na cidade. O conteúdo de uma delas, afixada na Praça Moreno Brandão (Praça do Açude), em particular, chama a atenção pelo grave engano histórico noticiado: "Nunca um governador trabalhou tanto pelos palmeirenses, obrigado Téo".

 

Afirmar tal coisa é tentar descaradamente varrer da memória palmeirense tantos sujeitos que, desde tempos remotos, contribuíram para que Palmeira dos Índios tomasse um papel destacado no desenvolvimento de Alagoas. Como ilustração, arrolei alguns exemplos, começando pelo século XIX. Em 1893, o governador Gabino Besouro envidou esforços na construção do paredão do açude do Goiti. Destruído por chuvas torrenciais que caíram em 1918, o paredão foi refeito no governo de Costa Rego, na década de 1920, fazendo com que os palmeirenses utilizassem um material de construção até então desconhecido: o cimento. O mesmo Costa Rego tornou o Estado presente na construção de um dos mais representativos monumentos palmeirenses: a atual Catedral Diocesana.

 

Álvaro Paes, governador natural de Palmeira dos Índios e seu posterior prefeito, considerado honestíssimo pelos seus contemporâneos, foi o grande incentivador, entre 1928 e 1930, da cultura da pinha, a fruta mais característica da produção agrícola palmeirense, símbolo da cidade, hoje em franca decadência.

 

O governador Arnon de Mello, nos anos 1950, em meio ao processo de modernização econômica e cultural do Brasil, rasgou um novo caminho para unir a capital e o sertão alagoano: a atual BR-316, que liga Maceió a Palmeira dos Índios. Foi a primeira rodovia asfaltada de Alagoas. Falando em asfalto, é disso que o governo Téo e a administração James Ribeiro mais se orgulham: terem asfaltado o centro da cidade. Nos últimos quatro anos, aliás, não se fala em outra novidade no maravilhoso mundo dos tucanos!

 

Em matéria de insegurança, como é bem sabido e alardeado, nós, alagoanos, somos os campeões. A desgraça se reflete em Palmeira dos Índios, que vive um clima de pesar por tantas mortes violentas de pessoas de todas as idades e classes sociais. Junto a outros péssimos indicadores sociais e econômicos, a cidade hoje enfrenta o que estudiosos chamam de "sofrimento populacional".

 

Para finalizar, faço memória dos feitos na educação, que é a área onde trabalho como servidor público do Estado. No ano de 1960, Sebastião Marinho Muniz Falcão inaugurou o Colégio Estadual Humberto Mendes, o maior estabelecimento de ensino da rede pública estadual no município, que, desde então, tem formado gerações de palmeirenses, sendo também referência para estudantes de outras cidades. Mais antigo que o chamado "Gigante do Asfalto" (apelido do Humberto Mendes) é a Escola Estadual Graciliano Ramos, aberta em 1956 pelo mesmo Muniz Falcão. Ao todo, Palmeira dos Índios conta com 16 escolas estaduais. Nenhuma delas foi aberta por Téo Vilela.

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