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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Ariano no lar de Graciliano

– Mestre Suassuna, posso tirar uma foto novamente com o senhor?


– E onde foi que a gente tirou outra antes? – perguntou-me sorridente e acolhedor, como sempre, estendendo-me a mão em cumprimento.


– Em duas oportunidades. A primeira foi no V Congresso Brasileiro de Bioética, em 2004. A segunda, no Festival Literário de Garanhuns, quando lhe dei de presente uma maraca indígena, feita pelos xukuru-kariri daqui, pelos seus 80 anos.


– Ah, eu sabia que lembrava de você de algum lugar...


Assim foi o meu terceiro contato pessoal com o imortal Ariano Suassuna, que visitou ontem (14 de junho) a Casa Museu Graciliano Ramos, em Palmeira dos Índios.


O lugar estava bastante animado. Na véspera, o cineasta Ailton Costa Jr. havia anunciado no Facebook a ilustre presença do autor da peça "O Auto da Compadecida" e do romance "A Pedra do Reino". Para a recepção, a Secretaria de Cultura deu uma guaribada no ambiente, que cheirava a tinta fresca. Afinal, não é todo dia que recebemos a visita de um tão querido imortal da Academia Brasileira de Letras. Seria mau se as privadas do banheiro permanecessem arrebentadas. Santo Ariano, feitor de milagres, que nos faz envidar esforços no sentido de valorizarmos o nosso patrimônio cultural...


Enquanto Ariano não chegava, paciência. Curiosos ajuntavam-se na rua. Todos queriam, ao menos, tirar uma foto com ele. Aproveitei, enquanto isso, o tempo e a disponibilidade do dinâmico secretário de Cultura, Toni Oliveira, para realizar com o mesmo um brainstorming. Colocamos em pauta uma série de propostas a serem encaminhadas nos próximos meses. Santo Ariano, fazedor de milagres...


Estávamos na expectativa da vinda do mestre desde as 10 horas da manhã. Ariano só chegou por volta das 4 da tarde, precedido pela equipe que está produzindo o documentário "Visões do Brasil - O Nordeste de Ariano Suassuna", pelo SESC Nacional. A visita foi rápida, mas satisfez quem esperava por ele. Bastante solícito, dono de uma aura encantadora, o mestre Ariano afirmou ser uma honra sentar-se na mesma cadeira de Graciliano Ramos, e sentir a energia desse importante escritor brasileiro.


A tarde sertaneja de Palmeira dos Índios ficou mais alegre com aquela presença. Santo Ariano, fazedor de milagres, quebrou a rotina de monotonia que caracteriza a cidade nos últimos tempos. Esse cantador sem repente, cangaceiro manso, nobre palhaço frustrado, contador mentiroso de maravilhas, nosso maior professor de história e autoestima, fez-nos, por alguns momentos, acreditar na feliz ilusão de que, realmente, ele guardava de outro momento em sua memória alguma lembrança da gente.


Valeu a visita, mestre Ariano!

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