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sábado, 17 de novembro de 2012

A Batalha das Toninhas

Dos conflitos bélicos dos quais o Brasil participou, poucos são os lembrados com glória. A cruel Guerra do Paraguai e a participação na Batalha de Monte Castelo, no final da Segunda Guerra Mundial, são os nossos feitos bélicos mais louvados.

 

O conflito com maior repercussão negativa foi a Campanha de Canudos, reconhecida internacionalmente na Primeira Convenção de Haia (1899) pelos crimes cometidos pelo exército brasileiro contra prisioneiros de guerra – mulheres e crianças incluídos –, executados sumariamente com a aplicação da degola (punição que era chamada de gravata vermelha), muitas vezes à vista dos generais.

 

A mais ridícula das batalhas brasileiras, no entanto, foi protagonizada na Primeira Grande Guerra, e não costuma ser ensinada nas escolas. O estopim para o país declarar guerra à Alemanha foi o torpedeamento, em 26 de outubro de 1917, de alguns de nossos navios mercantes. Mas a participação nossa só aconteceu nos instantes finais da bagaceira, na sangrenta Batalha das Toninhas.

 

Em novembro de 1918, sob as ordens do Almirantado da Inglaterra, os navios da Divisão Naval de Operações em Guerra seguiram para Gibraltar. O almirante Pedro Max Fernando Frontin havia sido informando de que o navio designado para acompanhar a flotilha brasileira, o HMS Britannia, havia sido afundado por um submarino alemão, o que pôs todos em alerta. Nesse episódio insólito, um cardume de toninhas, animais da espécie Phocoena phocoena, foi confundido pelo Cruzador Bahia com periscópios de submarinos alemães. Resultado da ação da marinha brasileira: dezenas de toninhas detonadas por engano!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Alagoas: de pernas pro ar


Quando Graciliano Ramos, então secretário da educação do Estado de Alagoas, suprimiu das escolas o hino de Alagoas, foi o maior rebu: acusaram-no de não ser patriota. Segundo esse mestre da moderna literatura brasileira, o hino era "uma estupidez com solecismos", e motivar o seu ensino seria o mesmo que motivar o emburrecimento dos estudantes.

A mudança foi um dos fatores que desestabilizaram a sua permanência no cargo, além da falta de "habilidade necessária para prestar serviços a figurões".

Ao longo da história, o patriotismo vigorou e o emburrecimento prevaleceu, tanto estatisticamente – conforme indica nosso baixo IDEB (o mais baixo do país!) – quanto simbolicamente – como apontou, nesta manhã (14), a Assembleia Legislativa do Estado, ao manter hasteada uma bandeira de Alagoas virada ao contrário.

O fato foi registrado em foto pelo professor Márcio Angelo Vanderlei, um dos presentes na caminhada dos trabalhadores da rede pública estadual de educação, e divulgada nas redes sociais. De acordo com que o professor informou depois, a bandeira retirada por um policial, ao perceberem o desleixo, a falta de zelo e atenção que aquilo significava.

Eis um caso em que um símbolo deixa de ser ideologia e realmente faz jus à realidade: uma bandeira de cabeça para baixo é o retrato de um Estado de pernas pro ar...