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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A atitude filosófica


A filosofia é um jeito de se fazer perguntas. Mas não quaisquer perguntas.


Todos nós lidamos com questões cotidianas, práticas, corriqueiras, que não nos exigem profunda reflexão. Por exemplo: que horas são? Feita a um interlocutor que porte um relógio e conte a verdade, é bem provável que a pergunta receba uma resposta que oriente o perguntador no tempo. No entanto, o que é o tempo? Não é de fácil resposta, pois essa é uma pergunta que desafia a nossa crença cotidiana e pouco refletida de que o tempo existe e pode ser medido. É diante desse tipo de problema que surge a atitude filosófica.


Tal atitude, que nasce quando aquilo que considerávamos como objeto de crença passa a nos aparecer como algo contraditório, guarda duas características fundamentais. A primeira é sua face negativa: filosofar é dizer não à superficialidade das coisas, aos preconceitos e verdades preestabelecidas e inquestionáveis, àquilo que "todo mundo diz, faz e pensa". A segunda face é positiva: filosofar é perguntar qual a essência das coisas, das ideias, dos comportamentos, dos valores, de nós mesmos. Em síntese, filosofar é se perguntar: se as coisas não são como parecem ser, o que as coisas realmente são? Qual o porquê e o como disso tudo e de nós próprios?


Ambas as faces, negativa e positiva, constituem a atitude crítica da filosofia. E quando falamos em crítica, não estamos nos referindo a como o senso comum entende essa palavra. Criticar não é falar mal! Criticar não é xingar! Criticar é examinar criteriosamente, é refletir os momentos de crise (portanto, momentos críticos), que são aqueles momentos que nos interrogam, que exigem respostas lógicas, uma vez que as crenças do cotidiano já não satisfazem o humano desejo de conhecer.


Para o antigo sábio grego Sócrates, esse desejo surge quando somos capazes de admitir, diante das crenças do cotidiano: "de tudo o quanto sei, eu só sei que nada sei". Platão, discípulo de Sócrates, ensinou que a filosofia começa com a admiração. Para o discípulo de Platão, Aristóteles, a filosofia começa com o espanto. Isso significa que a atitude filosófica surge quando reconhecemos a nossa própria ignorância, a nossa limitação no conhecimento e, por isso mesmo, somos capazes de superá-la.

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