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terça-feira, 23 de julho de 2013

I Encontro Internacional de Literatura Cartoneira

Nos dias 25 e 26 de julho, evento reunirá no FIG escritores e editores de selos cartoneiros de vários países, que fabricam livros em sistema colaborativo com catadores de papelão.

Este ano, o lema que tomará conta da Praça da Palavra, o polo de literatura do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), é a de que "qualquer pessoa pode fundar um selo e criar livros artesanais", como diz Wellington de Melo, coordenador de Literatura da Secult-PE/Fundarpe. A literatura cartoneira, movimento editorial poético, filosófico, político e cultural que nasceu na Argentina, em 2002, com a criação da Eloisa Cartonera, parte desse princípio. Ao utilizar papelão para a confecção das capas de livros, aliando literatura, artes plásticas e consciência ecológica, o movimento vai na contramão do mercado, atuando pela descentralização do comércio do livro.

Além de editoras independentes, os cartoneiros, ou "catadores", como têm sido denominados aqui no Brasil, são coletivos com preocupação social e ecológica. Escritores e artistas juntam-se aos catadores de papelão para confeccionar livros, utilizando a matéria-prima dos catadores para as capas, a fim de valorizar o seu trabalho e desenvolver o seu potencial artístico. O papelão é comprado dos próprios catadores a preços menores do que os do mercado e, quando transformados em livros, são vendidos a valores módicos. O apurado, por sua vez, é distribuído entre escritores e catadores. O movimento iniciado na América Latina já se difundiu pela Europa e tem seus representantes brasileiros, incluindo de Garanhuns.
 
A edição do FIG do ano passado levou o coletivo paulista Dulcinéia Catadora para a Cidade das Flores, deixando como fruto de uma oficina o selo Severina Catadora. Durante a ação, os escritores do município, do coletivo u-Carbureto, se somaram à Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reciclável Nova Vida (Asnov), do bairro da Cohab III produzindo a publicação "Severina Catadora", de mesmo nome do selo.

Este ano, o escritor Helder Herik e a catadora Núbia Bezerra, do selo Severina Catadora, estarão no I Encontro Internacional de Literatura Cartoneira, dias 25 e 26/7, junto a nomes de vários países: Nicolas Duracka (Cephisa Cartonera, França), Washington Cucurto (Eloísa Cartonera, Argentina), Daniela Elias (Babel Cartonnière, Bolívia), Amandine Cholez (Yiyi Jambo, França/Paraguai) e Juan Malebrán (Canita Cartonera, Chile).

Os cartoneiros também realizarão workshops de criação de livros artesanais durante o festival.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A festa no reino encantado de Janete Costa

O Festival de Inverno de Garanhuns, um dos mais concorridos pontos de encontro com a cultura em suas múltiplas linguagens e expressões nesta época do ano, completou seu segundo dia repleto de atividades.


A edição deste ano faz uma homenagem à garanhuense Janete Costa, arquiteta, decoradora e garimpeira da arte popular. Autêntica, pioneira, ela viajou pelo Brasil colocando mais vida na casa dos brasileiros: vida nascida da imaginação e materializada pelas mãos de tantos mestres populares.


Ney Matogrosso abriu a festa ontem bem ao seu estilo: performático e exuberante. De lá para cá, já se apresentaram no palco principal, na Esplanada Guadalajara, a Ópera Bajado, o grupo Gaiamálgama, a Caravana Rabequeiros de Pernambuco, Naná Vasconcelos (Batucafro). Daqui a pouco sobem Zé Ricardo e Paula Lima, DJ Dolores, Orquestra Santa Massa, Chico César, Dado Villa Lobos, Toni Platão e Zeca Baleiro. Isso sem contar as programações dos outros pólos: Cultura Popular, Pop, Forró e Instrumental.


E olhe que ainda falta mais de uma semana para acabar...

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Vai começar o maior festival multicultural do Nordeste

Começa hoje e vai até o dia 27 um dos mais esperados eventos do ano: o Festival de Inverno de Garanhuns. Em sua 23.ª edição, o FIG faz uma homenagem à artista Janete Costa.

 

Nessa época do ano, convergem para a Suíça Pernambucana pessoas dos mais variados sotaques, línguas e linguagens. Rola de tudo no FIG: oficinas, rodas, encontros, palestras, música, artesanato, dança, cinema, fotografia, pintura, cortejos, teatro, literatura, cultura, cultura, cultura... É nas ruas, nas praças, igrejas, parques, calçadas, ônibus, nas áreas urbana e rural, toda atmosfera se torna pluriartística.

 

Como não há eventos desse porte em Alagoas, os alagoanos antenados nas mais variadas expressões culturais encontram no FIG o endereço das artes. Neste ano, faremos a cobertura das programações dos Palcos Guadalajara, Cultura Popular, Pop/Forró, além da Galeria das Artes e da Praça da Palavra.

 

Leia mais:

Confira a programação completa do FIG 2013

Ney Matogrosso volta ao FIG mais exuberante do que nunca

domingo, 14 de julho de 2013

Arapiraca no Parlamento Juvenil do Mercosul

Criado há 3 anos, o Parlamento Juvenil do Mercosul é uma iniciativa que reúne jovens dos países componentes do Bloco, estudantes do Ensino Médio de escolas públicas. O principal objetivo desse espaço é fazer com que a voz da juventude seja ouvida no Parlasul. Dos 26 representantes brasileiros no Parlamento Juvenil, um é arapiraquense. Bruno Lima tem 17 anos e é estudante do IFAL – Campus Arapiraca. Na entrevista, a seguir, ele nos conta sobre a sua participação na iniciativa, as ideias e os projetos que tem defendido para uma educação de qualidade.

 

CRF – O que é o Parlamento Juvenil do Mercosul?


Bruno – O Parlamento Juvenil do Mercosul é um projeto do bloco Mercosul que  também conta com a participação da Colômbia e da Bolívia. Foi criado em 2010, em Montevidéu, na sede do bloco. É um programa que visa a melhoria da educação, visando principalmente o ensino médio, e um espaço onde os jovens estudantes pudessem trocar ideias e tentar, através do projeto, melhorar a nossa e assim chegar ao ensino médio que queremos.

 

CRF – Como foi a seleção que resultou em sua escolha?


Bruno – Ocorreram 3 etapas antes da minha eleição como parlamentar. A primeira foi ainda quando a coordenação da minha escola, Instituto Federal de Alagoas (IFAL) – Campus Arapiraca, anunciou o projeto. Por gostar muito dessa área, me inscrevi e fui aprovado para a disputa da segunda fase, na capital alagoana. Quando cheguei, vi gente de todos os lugares do estado, inclusive alunos do IFAL de outros campi. Recebemos as informações e ao final teríamos que defender um tema do projeto. Defendi o tema inclusão educativa e falei da falta de inclusão dos jovens à escola por falta de estrutura e ensino nas escolas. Venci a etapa estadual e, junto com outras 2 meninas, em menos de um mês embarcamos para a capital federal. Lá passamos 6 dias convivendo com alunos e professores de todos os estados do Brasil, com exceção de Rondônia, ouvindo e principalmente falando sobre nossas dificuldades enquanto estudantes do ensino médio público e, ao final, houve uma votação e, graças a Deus, fui contemplado com o cargo de 2 anos para representar minha Alagoas no Parlamento Juvenil do Mercosul.

 

CRF – Como tem sido a sua atuação, em particular, e quais os atuais encaminhamentos do Parlamento Juvenil?


Bruno – Graças ao IFAL, os meus projetos tem dado muito certo também em parceria com 5ª coordenadoria de educação, porque não é fácil representar os estudantes e sabemos que a educação em Alagoas não vem se destacando. Minha missão é ouvir os alunos e através de cartas elaboradas por mim e pelos parlamentares dos outros estados e enviar ao MEC para que providências sejam tomadas. Meu projeto do IFAL denominado "Ensino Médio Alagoano" vem me ajudando bastante. Aproveito o espaço também e agradeço às pessoas que vêm deixando esta caminhada um pouco mais fácil, sempre me dando apoio e ajudando em todos os momentos.

 

CRF – Qual a importância do Parlamento Jovem para a integração dos tão diversos Países que compõem o bloco?


Bruno – Temos em nosso quadro de temas o eixo denominado integração latinoamericana. Nos faz refletir e pensar em diminuir as fronteiras entre os países do bloco, também para mostrar a harmonia dos países e que o MERCOSUL não é apenas um bloco econômico, mas sim amigos vários bens em comum. Um deles: a educação.

 

CRF – Você faz parte de uma geração que não conheceu o mundo sem a internet. Como você tem encarado as crescentes manifestações no Brasil e no mundo, e qual o papel das mídias sociais nesse processo?


Bruno – Acho o mundo não vive mais sem a internet. A internet, quando usada devidamente, é magnífica. As manifestações são de suma importância para mostrar que o povo também tem força, que o povo não aguenta mais absurdos cometidos por alguns capitalistas, e o governo sempre baixando a cabeça. Cheguei a participar das manifestações a favor do passe livre e contra a PEC-37. Porém, em minha visão, hoje as manifestações em alguns lugares do Brasil está sendo comandada por alguns partidos em oposição ao governo. E temos que ter cuidado com alguns veículos de comunicação para não invertermos nossa ideologia. É preciso pesquisar, e a internet está a nosso favor para que não sejamos apenas marionetes do governo.

sábado, 13 de julho de 2013

E já foi tarde!

Nunca se ouviu falar em Alagoas de um secretário desse calibre. É certo que já tivemos um secretário estadual de Educação que assumidamente gostava de palavrões escritos e falados. Mas ele era Graciliano Ramos, que dispensa outras apresentações e era excelente homem. Mas Adriano Soares da Costa será lembrado como um dos piores, tanto pela desastrosa atuação à frente da pasta como pela boca suja com a qual expressa seu ódio à classe trabalhadora.

A gestão de Adriano foi marcada pela perseguição aos trabalhadores da educação, jogando com a estratégia de colocar a categoria contra seu próprio sindicato, desacreditando-o para negociar diretamente (mas sem representação) com os trabalhadores. Adriano incentivou até a criação de um sindicato pelego, tudo para dividir a categoria. Estava claro que esse tipo de negociação era impositiva, já que a ausência de representação tornava o diálogo impossível. Daí a importância de um perfil no Facebook: era a ferramenta que Adriano utilizava para essa "relação direta". Mas, enquanto Adriano – fiel escudeiro de Téo Vilela, o governador que não sabe a diferença entre homofóbico, hemofóbico (palavra nova!) e hemofílico – executava a missão de minar o direito constitucional de organização da classe trabalhadora para dificultar o diálogo, tetos de escolas desabavam, recursos da merenda escolar eram utilizados irregularmente, reformas não eram concluídas, aumentava o número de jovens estudantes assassinados.

Adriano, que nunca escondeu sua repulsa à classe trabalhadora, perdeu a razão quando atacou os manifestantes que foram às ruas na última quinta-feira, fazendo-lhes acusações com palavras de baixo calão. Adriano se arrependeu de postar em seu Facebook uma música que mencionava aquele monossílabo de duas letras que ofendem os mais puros ouvidos. Mandando os manifestantes tomarem nele, Adriano revelou, além dos seus já conhecidos lados ditador e irresponsável, também o seu lado mais "escroto", para usar um termo apropriado para tal comportamento. Uma atitude o enobrece, justamente a sua última nessa triste passagem no comando da pasta: reconhecer a própria incapacidade de geri-la. "Não é uma postura que se espera de um homem público, ainda mais ocupando o cargo de Secretário Estadual da Educação", postou ele no Facebook, reconhecendo que foi além "dos limites do razoável".

Adriano deixou o cargo. Foi tarde, mas finalmente, tomou no dele.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

As estampas do imperialismo

O mercado Croix-des-Bossales era o antigo ponto de venda de escravos em Porto Príncipe, capital haitiana. Hoje, o mesmo mercado não mais comercia seres humanos trazidos apulsos da África, mas recebe os contêineres carregados de roupas de segunda mão oriundas dos Estados Unidos. Essas roupas são chamadas de "Pepe", sendo cada vez mais difícil encontrar um haitiano que não as use.

 

O que mais chama a atenção nesse processo é que ele ironicamente revela o funcionamento da globalização da indústria têxtil: uma camiseta produzida para a Walmart nas fábricas de Porto Príncipe será ostentada por um texano que a doará para uma instituição de caridade, que, por sua vez, a fará voltar ao remetente, que, finalmente, poderá usá-la. "A maioria dos 'Pepe' que chegam à ilha foram doados pelos americanos para instituições de caridade e centros de recolha, rejeitado por Brechós, e passaram por os armazéns de classificação dirigida por haitianos em Miami que descartam as roupas de inverno e outros itens não comercializáveis ​​do lote", explica Arnaud Robert, do Institute for Artist Management (INSTITUTE). "Mas a camisetas piores, aquelas que mal são vendidas nas lojas de presentes baratos de Times Square, aquelas com os slogans mais idiotas, reaparecem, graças a um milagre de livre mercado, nas províncias remotas do Haiti, onde ninguém tomou o esforço de traduzir tal poesia em crioulo".

 

Robert se refere àquelas "t-shirts" que trazem frases do tipo: "Beije-me: eu sou loira" e "Não sou ginecologista, mas posso dar uma olhada", que seriam divertidas, caso o comércio "Pepe" não tivesse excluído milhares de alfaiates haitianos dos negócios têxteis. No fim, o que deveria ser um ato de caridade revela-se um desrespeito para com os haitianos carentes que, devido à pobreza extrema e sem saber o que dizem as camisetas, precisam vesti-las.

 

O interesse pelo tema fez os fotógrafos Paolo Woods e Ben Depp, que vivem no Haiti, realizarem o projeto "Pepe", no qual expõem algumas imagens, como a que ilustra esta matéria. A íntegra do trabalho pode ser conferida através do link: http://archive.instituteartistmanagement.com/offer/671.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A cultura do desfazer



Um equipamento público está em mau funcionamento. Duas alternativas são propostas: 1 – melhorar o equipamento e 2 – acabar com ele. Qual a melhor alternativa? Em Palmeira dos Índios é sempre a segunda. Ao longo das épocas, essa tem sido a principal política pública, o traço comum que reúne todas as administrações palmeirenses em uma única cultura do desfazer.

 

Por exemplo, houve na cidade uma "Praça das Casuarinas", assim conhecida pelas árvores que a preenchiam. Imagens antigas revelam que era bela, murada, com escadarias e luminárias. No entanto, também servia para abrigar as maganagens que escandalizavam os olhares pudicos da população dos arredores. Que solução foi tomada? Espantar a maganagem? Não: acabar com a praça. E ela continua lá, acabada há umas quatro décadas, transformada em espaço alternativo (já que não há muitos) para a (precária) prática esportiva e em depósito de lixo em pleno centro da cidade.

 

A mesma desculpa foi usada para reformar (isto é, dar um fim à, segundo a lógica própria da cultura do desfazer) a conhecida Praça do Skate (vide vídeo). A lista das ruínas na cidade é grande! Estão aos pedaços a antiga estação ferroviária (incluindo-se o espaço utilizado pela Biblioteca Pública Municipal), o auditório da Casa Museu Graciliano Ramos, os antigos prédios da Algodoeira Limoeirense (reminiscência dos tempos áureos em que Palmeira dos Índios, sozinha, fornecia a metade do algodão produzido em Alagoas), além de quatro enormes armazéns que foram construídos no bairro Xucurus nos anos 1970 para servirem de curtume e que jamais funcionaram para qualquer finalidade...

 

Não é de se estranhar que, infelizmente, possa se aplicar a Palmeira dos Índios o mesmo adjetivo usado por Monteiro Lobato para designar as cidades que compunham o Vale do Paraíba após a decadência da produção do café paulista: cidade morta. Lamentável...