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quarta-feira, 10 de julho de 2013

A cultura do desfazer



Um equipamento público está em mau funcionamento. Duas alternativas são propostas: 1 – melhorar o equipamento e 2 – acabar com ele. Qual a melhor alternativa? Em Palmeira dos Índios é sempre a segunda. Ao longo das épocas, essa tem sido a principal política pública, o traço comum que reúne todas as administrações palmeirenses em uma única cultura do desfazer.

 

Por exemplo, houve na cidade uma "Praça das Casuarinas", assim conhecida pelas árvores que a preenchiam. Imagens antigas revelam que era bela, murada, com escadarias e luminárias. No entanto, também servia para abrigar as maganagens que escandalizavam os olhares pudicos da população dos arredores. Que solução foi tomada? Espantar a maganagem? Não: acabar com a praça. E ela continua lá, acabada há umas quatro décadas, transformada em espaço alternativo (já que não há muitos) para a (precária) prática esportiva e em depósito de lixo em pleno centro da cidade.

 

A mesma desculpa foi usada para reformar (isto é, dar um fim à, segundo a lógica própria da cultura do desfazer) a conhecida Praça do Skate (vide vídeo). A lista das ruínas na cidade é grande! Estão aos pedaços a antiga estação ferroviária (incluindo-se o espaço utilizado pela Biblioteca Pública Municipal), o auditório da Casa Museu Graciliano Ramos, os antigos prédios da Algodoeira Limoeirense (reminiscência dos tempos áureos em que Palmeira dos Índios, sozinha, fornecia a metade do algodão produzido em Alagoas), além de quatro enormes armazéns que foram construídos no bairro Xucurus nos anos 1970 para servirem de curtume e que jamais funcionaram para qualquer finalidade...

 

Não é de se estranhar que, infelizmente, possa se aplicar a Palmeira dos Índios o mesmo adjetivo usado por Monteiro Lobato para designar as cidades que compunham o Vale do Paraíba após a decadência da produção do café paulista: cidade morta. Lamentável...

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